Brasileiro no vermelho: metade da população se endivida para sobreviver
Crise atinge consumo básico das famílias e força governo a ampliar o Desenrola 2.0 para incluir trabalhadores informais e autônomos.
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 28/04/2026 às 08:25 | Atualizado em: 28/04/2026 às 08:30
O recorde de endividamento das famílias brasileiras, que atingiu 49,9% segundo o Banco Central, revela uma face perversa da crise: a perda da capacidade de consumo básico.
Diferentemente de outros ciclos econômicos, a inadimplência atual é puxada por gastos essenciais.
Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, contas de água, luz e gás já representam 22,7% do volume de atrasos, o que drena o poder de compra imediato no varejo.
Esse cenário gera um efeito cascata sobre as empresas (CNPJ). Com o consumo estagnado, o setor de serviços e comércio enfrenta queda no faturamento, o que trava a geração de empregos e aumenta o risco de demissões.
O comprometimento médio da renda do brasileiro chegou a 29,7%, o maior nível da série histórica, criando um “teto de vidro” para o crescimento do produto interno bruto em 2026.
Diante do quadro, o governo federal deve anunciar nos próximos dias o Desenrola 2.0.
Embora o uso do FGTS seja uma das apostas para reduzir juros, o Ministério da Fazenda discute mecanismos de garantia para atingir trabalhadores informais e autônomos.
Sem esse braço para quem não possui carteira assinada, o programa corre o risco de excluir justamente a massa mais vulnerável e numerosa de endividados do país.
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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
