Estudo simula eleição de deputado estadual em 2026

Cenário mostra que parlamentares com mandato correm risco de não obter reeleição. Risco maior está no União Brasil

Estudo simula eleição de deputado estadual em 2026

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 14/05/2026 às 07:53 | Atualizado em: 14/05/2026 às 07:55

O advogado eleitoralista Iuri Albuquerque publicou ontem uma análise sobre os cenários da eleição para deputado estadual no Amazonas em 2026. O estudo mostra que políticos poderão ficar sem mandato. Sobretudo, isso pode acontecer no União Brasil. É que, pelo estudo, a legenda só deve eleger cinco deputados.

O problema é que o partido do ex-governador Wilson Lima e do governador Roberto Cidade foi inflado para a disputa com sete deputados estaduais. Além deles, mais quatro vereadores de Manaus, que tentam trocar de casa no meio do mandato.

O estudo de Iuri também põe água fria na fervura do Avante, do ex-prefeito David Almeida. A sigla foi a sensação do pleito 2022. No entanto, a simulação conjectura que o partido não deve superar as quatro vagas que conquistou na eleição passada. Nesse caso, sobra uma corrida acirrada para os oito vereadores que vão disputar vaga com Abdala Fraxe e Daniel Almeida.

Mas o especialista ressalva. Ele ressalta que, apesar das projeções matemáticas, o resultado final da disputa pelas 24 cadeiras da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) dependerá diretamente do desempenho das chapas nas urnas.

Metodologia

No vídeo, Iuri faz uma simulação baseada em projeções estatísticas de votos válidos, quociente eleitoral e distribuição das sobras partidárias para demonstrar como funcionará o cálculo das vagas no pleito do próximo ano.

Logo no início, o advogado ressalta que o objetivo da análise não é prever os eleitos, mas explicar o funcionamento do sistema proporcional.

Segundo ele, cerca de dez partidos ou federações devem disputar a eleição de forma competitiva, superando as cláusulas de desempenho exigidas pela legislação eleitoral. Entre as siglas citadas estão União Brasil, Avante, MDB, PSD, PL, Podemos, Republicanos, Agir, PDT e a federação formada por PT, PV e PCdoB.

Projeção de votos e quociente eleitoral

Na explicação, Iuri Albuquerque projeta um crescimento de 9% no número de votos válidos em relação a 2022. Com isso, a estimativa seria de aproximadamente 2,15 milhões de votos válidos para deputado estadual em 2026.

A partir desse cenário, o quociente eleitoral — cálculo obtido pela divisão do total de votos válidos pelo número de cadeiras — chegaria a cerca de 89,5 mil votos.

O advogado também explicou as regras exigidas para que partidos e candidatos participem da distribuição das vagas:

Na primeira etapa, o partido precisa atingir o quociente eleitoral;
O candidato precisa alcançar votação nominal mínima equivalente a 10% do quociente;
Para disputar as sobras, o partido deve alcançar ao menos 80% do quociente eleitoral;
Já o candidato precisa atingir, no mínimo, 20% do quociente.

Simulação das cadeiras

Na projeção apresentada, o União Brasil apareceria com a maior bancada, alcançando cinco vagas após a distribuição das sobras. Avante e MDB ficariam com quatro cadeiras cada. O PSD teria três vagas.

O cenário projetado por Iuri Albuquerque ficou da seguinte forma:

União Brasil: 5 vagas;
Avante: 4 vagas;
MDB: 4 vagas;
PSD: 3 vagas;
PL: 2 vagas;
Podemos: 2 vagas;
Republicanos: 2 vagas;
Federação PT/PV/PCdoB: 1 vaga;
Agir: 1 vaga;
PDT: nenhuma vaga.

Durante a explicação, o advogado detalha como funciona a distribuição das chamadas “sobras eleitorais”, calculadas pela média de votos dos partidos após a definição das vagas da primeira etapa.

Ele destaca que pequenas variações de votação podem alterar completamente o resultado final da distribuição das últimas cadeiras.

PDT aparece próximo de conquistar sobra

Um dos pontos destacados por Iuri Albuquerque é a situação do PDT na projeção apresentada. Mesmo sem conquistar vaga direta pelo quociente partidário, o partido aparece próximo de alcançar uma cadeira na disputa das sobras.

Segundo o cálculo apresentado, a média do PDT chegaria a 75 mil votos, muito próxima da média do União Brasil, que ficaria com a última vaga projetada ao alcançar 78 mil votos.

Para o advogado, essa diferença apertada demonstra como mudanças pequenas na votação podem alterar o desenho final da Assembleia.

“Tudo pode mudar e tudo pode vir das urnas”, afirmou.

Ao final do vídeo, Iuri reforça que as projeções servem apenas para explicar a dinâmica da eleição proporcional e que o resultado real só será conhecido após a apuração oficial dos votos em 2026.

Foto: reprodução/vídeo