Alcolumbre barra CPI do Master enquanto suplente é indiciado pela PF

Polícia associa suplente do presidente do Senado a suposto esquema no Dnit do Amapá, estado já marcado por rombo previdenciário ligado ao Banco Master.

Alcolumbre se afobou e expôs sua veia fisiológica

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 23/05/2026 às 09:45 | Atualizado em: 23/05/2026 às 09:47

O avanço das investigações da Polícia Federal sobre um suposto esquema de corrupção no Dnit do Amapá lançou nova pressão política sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em meio à resistência dele à instalação de uma CPI para investigar operações do banco Master e a atuação do banqueiro Daniel Vorcaro.

A pressão cresceu depois da revelação de Flávio Bolsonaro e sua ligação com o caso Master.

Segundo reportagem de O Globo, o suplente de Alcolumbre foi indiciado pela PF após sacar R$ 350 mil em espécie e aparecer associado ao suposto esquema investigado no estado.

O caso amplia o desgaste político em torno do entorno do senador amapaense, especialmente porque o Amapá já esteve no centro de outra crise envolvendo recursos públicos da previdência direcionados ao banco Master.

A pressão ocorre justamente no momento em que deputados tentam avançar com pedidos de CPI relacionados ao banco de Daniel Vorcaro.

Reportagem do G1 mostrou que Alcolumbre rejeitou os pedidos e afirmou que a decisão caberia à mesa do Congresso. Na prática, críticos apontam que a movimentação atua para esfriar o avanço das investigações políticas sobre o caso.

O pano de fundo torna o cenário ainda mais delicado. O Amapá foi palco de um rombo milionário em fundos previdenciários após aplicações financeiras envolvendo o banco Master, operação que acabou associada politicamente a grupos ligados ao comando local e nacional do União Brasil.

A oposição vê no episódio um elo entre influência política, blindagem institucional e circulação de recursos públicos em operações consideradas de alto risco.

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Esquema no Dnit amplia desgaste

As informações da PF apontam que o investigado ligado à suplência de Alcolumbre teria realizado movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada e passou a ser citado em apurações sobre contratos e repasses no Dnit do Amapá.

Embora o senador não seja formalmente investigado nesse caso, o episódio atinge diretamente sua base política num momento em que cresce em Brasília a cobrança por maior transparência nas relações entre poder político, bancos privados e fundos públicos.

O caso também reforça críticas recorrentes ao chamado “centrão”, frequentemente acusado de controlar estruturas estratégicas da máquina pública enquanto atua para reduzir danos políticos por meio do comando institucional do Congresso.

Blindagem política e CPI travada

Nos bastidores, parlamentares da oposição e até setores independentes do Congresso avaliam que a resistência à CPI do banco Master não decorre apenas de cautela institucional, mas de receio sobre o alcance político que uma investigação poderia produzir.

O temor é que a comissão exponha conexões entre operadores financeiros, indicações políticas e estruturas estaduais fragilizadas financeiramente, especialmente em estados menores, onde grupos políticos concentram forte influência sobre fundos públicos, contratos e órgãos federais descentralizados.

A combinação entre o indiciamento do suplente, o histórico do rombo previdenciário no Amapá e a blindagem em torno da CPI acaba alimentando uma narrativa incômoda para Alcolumbre: a de que o presidente do Senado atua não apenas como árbitro institucional, mas também como peça central de um sistema político interessado em conter danos antes que as investigações avancem.

Leia mais no G1 e no O Globo.

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado