Relator alerta STF sobre risco à investigação do caso Master
André Mendonça reage a Gilmar Mendes e diz que apuração enfrenta pressões e tentativas de enfraquecimento.
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 17/06/2026 às 14:26 | Atualizado em: 17/06/2026 às 14:43
O julgamento que neste dia 16 de junho manteve as prisões de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, respectivamente pai e primo do banqueiro do Master Daniel Vorcaro, revelou uma das mais intensas divergências recentes na segunda turma do STF.
Mais do que discutir medidas cautelares, a sessão expôs visões opostas sobre os limites da investigação do caso Master e levou o relator, ministro André Mendonça, a alertar para riscos que podem comprometer o avanço das apurações.
Por maioria, a turma acompanhou Mendonça e manteve as prisões decretadas na operação Compliance Zero.
O único voto divergente foi o do ministro Gilmar Mendes, que defendeu o relaxamento das medidas impostas aos familiares de Vorcaro.
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Denúncia do relator vê risco à investigação
O momento mais sensível da sessão ocorreu quando André Mendonça afirmou que a investigação enfrenta obstáculos que vão além da discussão processual.
“Talvez seja muito simples hoje acabar com a investigação.”
A declaração foi interpretada como um alerta de que forças externas à apuração podem atuar para enfraquecer ou inviabilizar o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Em outro trecho, o ministro reforçou a gravidade do material reunido até agora.
“Estamos aqui para julgar a maior fraude financeira do nosso país.”
Segundo Mendonça, os elementos reunidos apontam não apenas para crimes financeiros, mas para um esquema com características de organização criminosa voltada à obstrução das investigações.
“Há contornos de máfia. Há contornos de crime organizado mafioso.”
Mendes compara caso à Lava Jato, e leva reação
A divergência surgiu quando Gilmar Mendes passou a criticar a condução da investigação e a utilização de prisões preventivas.
O ministro afirmou enxergar paralelos entre procedimentos adotados na operação Compliance Zero e práticas verificadas na operação Lava Jato, posteriormente anuladas ou criticadas pelo próprio Supremo.
“Parece igualmente maculada pelo mesmo vezo do messianismo persecutório.”
Mendes também afirmou que juízes não podem assumir papel típico de investigadores ou delegados e criticou o uso de prisões que possam gerar pressão indireta para acordos de colaboração premiada.
As declarações foram recebidas com forte reação do relator.
“Não estamos julgando a Lava Jato”
Em resposta, André Mendonça afirmou que a discussão não tratava dos excessos atribuídos à Lava Jato, mas dos fatos concretos investigados no caso Master.
O ministro sustentou que as prisões não foram decretadas por vínculos familiares com Daniel Vorcaro, mas pelos indícios individualizados de participação nos crimes investigados.
“Ele não foi preso porque era pai. Foi preso porque praticou crime.”
A manifestação foi entendida como uma resposta direta à tentativa de reduzir a relevância dos investigados no contexto do esquema apurado pela Polícia Federal.
Maioria segue o relator
Ao final, a maioria da segunda turma acompanhou o voto de André Mendonça, mantendo as prisões e rejeitando os argumentos apresentados por Gilmar Mendes.
O resultado fortalece a condução atual da investigação e sinaliza que, ao menos neste estágio, prevaleceu o entendimento de que os indícios reunidos justificam medidas cautelares mais severas para preservar provas, impedir interferências e garantir o prosseguimento das apurações.
Jogo de forças presente na corte
Para além da situação de Henrique e Felipe Vorcaro, o julgamento mostrou que o caso Master entrou em uma nova fase dentro do Supremo.
De um lado, Gilmar Mendes alerta para o risco de repetição de métodos que marcaram a Lava Jato.
De outro, André Mendonça sustenta que a dimensão das suspeitas exige rigor e que existem fatores capazes de comprometer o avanço das investigações caso as medidas sejam flexibilizadas.
O embate revelou que a disputa jurídica deixou de se concentrar apenas nas acusações formuladas pela Polícia Federal e passou a envolver também a própria narrativa sobre a legitimidade e os limites da investigação.
Matérias de referência
JOTA — STF confirma prisões de pai e primo de Vorcaro após embate entre Gilmar e Mendonça
https://www.jota.info/stf/do-supremo/stf-confirma-prisoes-de-pai-e-primo-de-vorcaro-apos-embate-entre-gilmar-e-mendonca
O Globo — Gilmar faz críticas a delações sob pressão e diz que juiz não pode agir como delegado em julgamento do caso Master
https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/16/gilmar-faz-criticas-a-delacoes-sob-pressao-e-diz-que-juiz-nao-pode-agir-como-delegado-em-julgamento-do-caso-master.ghtml
PlatoBR — “Não tenho medo”: em embate com Gilmar, André Mendonça faz desabafo e manda recados
https://platobr.com.br/nao-tenho-medo-em-embate-com-gilmar-andre-mendonca-faz-desabafo-e-manda-recados
Foto: Luiz Silveira/STF
