Aziz tenta colar Cidade em Lima; partido carimba Aziz como ‘velha política’
Trocação entre os dois grupos revela estratégia para polarizar disputa pelo Governo do Amazonas e reduzir espaço de David Almeida e Maria do Carmo
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 08/07/2026 às 11:16 | Atualizado em: 08/07/2026 às 11:16
A campanha pelo Governo do Amazonas ainda nem começou oficialmente, mas os dois grupos que tentam ocupar o centro da disputa já deixaram escapar a estratégia que pretendem usar para chegar ao eleitor.
De um lado, Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB) tentam apresentar a eleição como uma escolha entre experiência e improviso.
Do outro, Wilson Lima e Roberto Cidade, ambos do União Brasil, trabalham para transformar o confronto em disputa entre renovação e velha política.
A trocação dos últimos dias mostra que não se trata apenas de ataques soltos. Há método.
O grupo de Aziz tenta fundir Lima e Cidade na mesma imagem política. A ideia é fazer com que o atual governador, ainda com baixa rejeição nas pesquisas, carregue o peso dos sete anos e meio do governo do União Brasil de Wilson Lima.
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Continuidade
O argumento é simples: Cidade não seria novidade, mas continuidade.
Aziz repete que os dois têm o “mesmo DNA”. Ao fazer isso, tenta transferir para o atual governador o desgaste que atribui ao ex-governador.
Nesse roteiro, Lima e Cidade aparecem como parte de um governo sem autoridade, acusado de abandonar delegacias, quartéis, hospitais, servidores e programas sociais criados no passado.
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Autoridade
Aziz também tenta se colocar como o nome da autoridade, da experiência e da reconstrução.
Ao lado de Braga, evoca programas antigos, fala da UEA, do Jovem Cidadão, do Ronda no Bairro, da interiorização da saúde e promete construir sete hospitais regionais.
É a política do “nós já fizemos e sabemos fazer de novo”.
Estratégia de Lima e Cidade
Do outro lado, Lima e Cidade tentam impedir que a eleição seja uma comparação entre governos. Para isso, deslocam o debate para a ideia de passado contra futuro.
Lima chama Aziz e Braga de velha política, fala em “coronel de barranco”, ameaça, truculência e mentira.
Cidade reforça a mesma linha ao dizer que seu grupo representa a “política do bem”, do trabalho e do diálogo.
A estratégia é carimbar Aziz como símbolo de um tempo que o eleitor deveria deixar para trás.
Lima também tenta defender seu legado com números. Fala em redução de homicídios, queda nos roubos a ônibus, corredor zero nos hospitais, auxílio estadual permanente, redução de impostos, IPVA menor e avanços na segurança.
Nesse desenho, Cidade é apresentado como o herdeiro natural de um ciclo que, segundo o grupo, teria modernizado o estado.
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A tática nos detalhes
O ponto mais sensível dessa disputa está exatamente aí: Aziz precisa convencer o eleitor de que Cidade é Lima.
De seu lado, Lima vê que precisa convencer o eleitor de que Aziz é passado.
Polarização beneficia os dois grupos
A polarização interessa aos dois grupos.
Ao mirar um no outro, Aziz e Braga e Lima e Cidade tentam organizar a eleição em torno de dois polos principais.
Com isso, reduzem o espaço de David Almeida (Avante) e Maria do Carmo (PL), que também disputam o governo.
É uma tentativa de sufocamento político.
Aziz quer transformar a disputa numa eleição plebiscitária sobre os governos Lima-Cidade.
Estes querem transformar a eleição em julgamento sobre a volta ou não da velha política.
No meio disso, o eleitor será chamado a escolher qual linha do tempo considera mais convincente: a do passado apresentado como experiência ou a do presente apresentado como continuidade de avanços.
A campanha ainda está no começo. Mas, a guerra de versões já começou antes dela.
Fotomontagem: BNC Amazonas
