Bolsonaristas no Amazonas veem vitória no ato de Trump contra Brasil
Aliados de Flávio Bolsonaro defendem pressão externa sobre o país
Ana de Oliveira, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 29/05/2026 às 10:31 | Atualizado em: 29/05/2026 às 10:31
Lideranças bolsonaristas no Amazonas comemoraram nas redes sociais a decisão anunciada pelos Estados Unidos, na quinta-feira (28 de maio), de classificar facções do narcotráfico Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
A medida foi atribuída por esses aliados do clã Bolsonaro a articulação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Washington.
Entre os integrantes da comitiva que esteve nos Estados Unidos, o candidato a deputado federal e vereador Ubirajara Rosses (PL) afirmou que o grupo levou “a real situação do Amazonas para o centro do debate”, citando o avanço das facções criminosas na região e seus reflexos sobre a segurança pública e a política local.
“Isso não é apenas uma questão simbólica, de forma alguma. E significa pressão, combate e mais dificuldade para quem financia e protege o crime organizado. Também para aqueles que se elegem através dessas facções”.
O deputado federal Alberto Neto (PL) também celebrou a medida e afirmou que a decisão representa um endurecimento internacional no combate ao crime organizado.
“Os Estados Unidos vão agir onde dói mais, que é no bolso dessas facções. Ela vai agir no dinheiro”.
Para os bolsonaristas, a classificação permitirá ampliar o rastreamento internacional de recursos ligados às facções, além de dificultar operações de lavagem de dinheiro.
Em que pese a atuação criminosa das facções no Brasil, com atuação ineficaz até aqui dos governos, não há registro de ocorrências com características terroristas, geralmente atreladas a interesses políticos.
Facções avançam sobre a Amazônia
A reação da direita amazonense ocorre em meio ao fortalecimento das organizações criminosas na Amazônia, especialmente do Comando Vermelho, que ampliou domínio sobre rotas do narcotráfico, garimpo ilegal, exploração de madeira e lavagem de dinheiro.
Levantamento divulgado neste ano apontou que a presença de facções criminosas cresceu 32% em apenas um ano na região, alcançando 344 municípios.
O estudo também mostrou que as organizações passaram a operar de forma integrada em diferentes economias ilegais da floresta.
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O Amazonas aparece entre os principais territórios estratégicos desse avanço, sobretudo pelas rotas fluviais do alto rio Solimões, usadas para conexão do tráfico internacional vindo da Colômbia e do Peru.
Violência cresce no Amazonas
O fortalecimento das facções também aparece nos indicadores de violência.
Dados divulgados neste mês mostraram que o Amazonas superou a média nacional de homicídios e ocupa a sexta posição entre os estados mais violentos do país.
O levantamento relaciona o cenário à interiorização das facções e à disputa por corredores do narcotráfico.
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Municípios do sul do Amazonas, como Humaitá, Lábrea e Manicoré, passaram a concentrar disputas entre grupos criminosos ligados ao controle territorial e às economias ilegais na floresta.
Crime organizado e poder público
As investigações recentes também passaram a apontar infiltração do crime organizado em estruturas públicas do Amazonas.
Em fevereiro, a operação Erga Omnes revelou atuação de integrantes do Comando Vermelho em esquemas ligados à Prefeitura de Manaus, além de conexões investigadas no Legislativo e no Judiciário amazonense.
Segundo a Polícia Civil, o grupo movimentou cerca de R$ 70 milhões em sete anos.
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Ataques ao governo Lula
A decisão dos Estados Unidos também foi usada pela bancada bolsonarista para atacar o governo do presidente Lula da Silva (PT).
A deputada estadual Débora Menezes (PL) afirmou que o governo federal tentou impedir a classificação das facções como organizações terroristas sob argumento de defesa da soberania nacional.
“Enquanto alguns tentam proteger bandidos, outras pessoas, como o senador Flávio Bolsonaro, estão trabalhando aí para fechar esse cerco”.
Já Alberto Neto acusou o governo federal de relativizar o enfrentamento ao crime organizado.
“Infelizmente, o governo Lula quer tratar essas organizações como uma ong armada. Se a gente quer um Brasil seguro para todos, a gente precisa tirar esse governo que tá aí”.
A candidata da extrema direita ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair (PL), até a publicação desta matéria não havia se manifestado.
Foto: reprodução
