Lula destaca queda de 50% no desmatamento da Amazônia

Presidente reforça meta de zerar devastação até 2030

Lula quer reunir países amazônicos em Belém, com presença dos EUA

Mariane Veiga, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 06/06/2026 às 15:53 | Atualizado em: 06/06/2026 às 15:53

No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado na sexta-feira (5), o governo do presidente Lula da Silva (PT) destacou a queda de 50% no desmatamento da Amazônia entre 2022 e 2025. Na ocasião, por meio das redes sociais, Lula reafirmou o compromisso de alcançar o desmatamento zero até 2030.

“Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, o Governo do Brasil reafirma seu compromisso com a sustentabilidade, com a preservação dos nossos biomas e com a meta de desmatamento zero até 2030”, escreveu Lula.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a redução é resultado do reforço na fiscalização ambiental, da retomada da estrutura dos órgãos de controle e da implementação de planos de prevenção e combate ao desmatamento em todos os biomas brasileiros.

“Resultado de um trabalho sério do Governo do Brasil, que envolve a ação conjunta de ministérios e agências federais, e a implementação de Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas. Pela primeira vez na história, eles existem para todos os biomas e detalham estratégias específicas até 2027”, acrescentou o presidente.

Além da Amazônia, o país registrou queda da devastação no Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa.

O governo também informou que a área atingida por incêndios florestais caiu 39% em 2025 em comparação com a média dos últimos oito anos.

Nos últimos meses, foram destinados R$ 150 milhões do Fundo Amazônia para equipar estados e a Força Nacional no combate aos incêndios no Cerrado e no Pantanal.

Leia mais

Amazônia: desmatamento explodiu com Bolsonaro, até EUA sabem

Momentos mais críticos

Em contraste com o atual momento, os períodos mais críticos da história recente da Amazônia, os anos de 2019 a 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, marcaram uma nova escalada do desmatamento após períodos de relativa redução.  

Segundo o relatório da Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG), divulgado em 2022, por meio de um estudo intitulado “Desmatamento na Amazônia em 2025”, o desmatamento na região amazônica tem sido impulsionado principalmente pela expansão da agropecuária, responsável por 77% da perda de florestas entre 2001 e 2020.

Nesse período, cerca de 416 mil km² foram convertidos em áreas agrícolas e de pastagem, sendo o Brasil responsável pela maior parte dessa devastação, com mais de 307 mil km² de floresta derrubados. 

O estudo destaca que, em 2020, no auge do governo Bolsonaro, o Brasil concentrou 76% de todo o desmatamento registrado na Amazônia pelos países da região e que 99,88% da destruição da vegetação na Amazônia brasileira ocorreu de forma ilegal, em desacordo com a legislação ambiental vigente.

O relatório também aponta que a devastação se intensificou nos últimos anos em razão da expansão da fronteira agrícola, da grilagem de terras públicas, do garimpo ilegal e da abertura de estradas que facilitam o avanço sobre áreas de floresta.

Além disso, a redução da capacidade de fiscalização e os cortes nos órgãos de controle ambiental contribuíram para o crescimento do desmatamento e dos incêndios florestais.

Outro dado destacado é que grande parte da destruição está concentrada em poucas propriedades rurais.

Segundo o levantamento citado pela RAISG, 62% do desmatamento ocorrido após 2008 na Amazônia brasileira e no Cerrado se concentrou em apenas 2% das propriedades, principalmente grandes áreas destinadas à produção de soja e à pecuária.

De acordo com o relatório, a velocidade do avanço da devastação e o aumento das taxas nos últimos cinco anos demonstram que as políticas e ações de combate ao desmatamento foram insuficientes para conter a perda de vegetação na maior floresta tropical do planeta.

Foto: divulgação