Amazonas tem pior desempenho da Amazônia Legal em índice de sustentabilidade
Estado registra média de 51,5 pontos no iODS e evidencia abismo social e de infraestrutura entre a capital, Manaus, e os municípios do interior.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 07/06/2026 às 08:06 | Atualizado em: 07/06/2026 às 08:06
O Amazonas apresentou o menor desempenho entre os estados da Amazônia Legal no Índice Geral dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (iODS). O resultado foi divulgado na última sexta-feira (5) pelo projeto Atlas ODS Amazônia, acendendo um alerta para o cumprimento das metas da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) na região.
De acordo com o levantamento, o estado registrou uma média de 51,5 pontos no índice, ficando abaixo da média geral dos 772 municípios analisados na Amazônia Legal, que alcançou 55,5 pontos.
A metodologia do estudo calculou a classificação estadual a partir da mediana dos índices municipais de cada estado. A informação foi divulgada pelo g1.
O objetivo desse formato é retratar de forma mais fiel a realidade local, evitando que os dados sejam distorcidos por resultados positivos isolados.
O “abismo” entre a capital e o interior
Apesar de o Amazonas contar com Manaus entre as cidades mais bem avaliadas de toda a região amazônica, o estado sofre com uma profunda desigualdade interna. Enquanto a capital lidera o ranking estadual com 66,68 pontos, o município de São Gabriel da Cachoeira amarga a última posição entre as 62 cidades avaliadas, com apenas 43,83 pontos.
O ranking do desempenho municipal no AM:
| Maiores Pontuações | Pontos | Menores Pontuações | Pontos | |
| Manaus | 66,68 | Itamarati | 46,37 | |
| Itacoatiara | 57,14 | Juruá | 44,93 | |
| Tefé | 56,72 | Maraã | 43,97 | |
| Presidente Figueiredo | 56,24 | Pauini | 43,96 | |
| Parintins | 55,90 | São Gabriel da Cachoeira | 43,83 |
Centralização econômica e desafios históricos
Segundo o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique Pereira, os resultados são um reflexo direto da forte concentração populacional e econômica na capital, em contraste com as dificuldades históricas enfrentadas pelo interior.
“A capital concentra a maior parte da população, da atividade econômica, da arrecadação pública e da geração do Produto Interno Bruto do estado. Já grande parte dos municípios amazonenses ainda enfrenta limitações relacionadas à infraestrutura, conectividade, educação, saúde, saneamento e oportunidades econômicas”, afirmou o diretor do Inpa.
Pereira ressalta que o principal gargalo do estado não é a performance de Manaus, mas sim a distância abissal entre a realidade da capital e a das outras cidades. Para o pesquisador, o cenário atual deixa clara a necessidade urgente de ampliar a integração territorial e reduzir as desigualdades regionais.
Isolamento geográfico agrava indicadores
A situação de vulnerabilidade se torna ainda mais evidente em áreas remotas do estado, como as regiões do médio e alto Juruá, alto Solimões e alto Rio Negro. Nesses locais, fatores crônicos como as grandes distâncias geográficas, os elevados custos logísticos e a baixa oferta de infraestrutura básica funcionam como barreiras para avanços mais rápidos nos indicadores sociais, econômicos e ambientais.
O relatório do Atlas ODS Amazônia identificou que os calcanhares de Aquiles do Amazonas estão concentrados em três metas cruciais da ONU:
- ODS 1: Erradicação da pobreza;
- ODS 2: Fome zero e agricultura sustentável;
- ODS 9: Indústria, inovação e infraestrutura.
Os dados apontam que, para o Amazonas avançar de forma equilibrada, as políticas públicas precisam urgentemente romper as fronteiras da capital e levar serviços essenciais, conectividade e infraestrutura para as populações mais isoladas da floresta.
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Foto: divulgação/Semcon
