Brasil gera prejuízo de R$ 361 milhões em 20 dias ao crime organizado

Com investimento inicial de R$ 30,4 milhões, ofensiva integrada nacional supera metas em 251% e resulta na prisão de centenas de suspeitos e apreensão de toneladas de drogas.

Brasil gera prejuízo de R$ 361 milhões em 20 dias ao crime organizado

Da Redação do BNC Amazonas*

Publicado em: 07/06/2026 às 09:57 | Atualizado em: 07/06/2026 às 09:58

O programa Brasil Contra o Crime Organizado apresentou seus primeiros resultados oficiais, três semanas após o seu lançamento oficial em 12 de maio. Com isso, consolidando uma severa asfixia financeira nas principais facções criminosas do país.

Sob a coordenação do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o plano nacional — que conta com um orçamento previsto de R$ 11,1 bilhões — aposta na união de forças entre a União, estados e municípios para golpear a estrutura do crime em quatro frentes estratégicas: estrangulamento financeiro, retomada do controle do sistema prisional, eficácia na investigação de homicídios e desmonte do mercado ilegal de armas.

Os primeiros dados indicam que a estratégia de coordenação federativa começou a dar frutos imediatos. No período, 9.204 profissionais de segurança pública foram mobilizados em 11 operações integradas por todo o território nacional. O balanço inicial contabiliza:

  • 67 toneladas de drogas apreendidas;
  • 639 armas e 26.875 munições fora de circulação;
  • 1.013 veículos recolhidos;
  • 473 pessoas presas.

O retorno do investimento

Os dados consolidados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) revelam uma eficiência financeira inédita.

Os R$ 30,4 milhões investidos nos primeiros 20 dias de operação geraram um prejuízo estimado de R$ 361,3 milhões ao crime organizado. Na prática, isso significa que cada R$ 1 aplicado pelo Estado gerou quase R$ 12 de dano financeiro às facções.

O desempenho inicial da ofensiva superou em 251% todas as metas que haviam sido projetadas para os primeiros 90 dias do programa.

Se somadas todas as ações da SENASP e da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (DIOPI) no acumulado dos meses de abril e maio, o número de prisões em flagrante sobe para 2.182. Excluindo o valor das drogas confiscadas, o impacto econômico direto foi de R$ 223,54 milhões. Além disso, as operações Narke e Renocrim conseguiram o bloqueio judicial de R$ 436 milhões em ativos ligados a redes criminosas.

Retomada do controle nos presídios e ofensiva da PF

Uma das prioridades do programa é cortar a comunicação de lideranças criminosas que permanecem ativas atrás das grades. A 11ª fase da operação Mute mobilizou 4.042 policiais penais em vistorias a 124 estabelecimentos prisionais.

No total, 3.728 celas foram revistadas, resultando na apreensão de 680 aparelhos celulares utilizados para transmitir ordens extramuros.

Desde o início da Operação Mute, em 2023, o esforço conjunto de mais de 38 mil policiais penais e a varredura de 37 mil celas já retiraram 8.646 celulares de circulação nos presídios brasileiros.

Paralelamente, a Polícia Federal (PF) intensificou o ritmo de investigações. Apenas no mês de abril, a instituição homologou 128 operações e cumpriu 295 mandados de busca e apreensão. As ações da PF resultaram em:

  • 849 prisões em flagrante e 1.371 capturas por meio de seus Grupos de Capturas;
  • R$ 272 milhões em descapitalização das quadrilhas;
  • Apreensão de 160 armas, 4.563 munições, 5,6 toneladas de cocaína e 20,9 toneladas de maconha.

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Expansão de fronteiras e o cerco na Amazônia

O programa também redesenhou o mapa da fiscalização de fronteiras no país. Enquanto em 2025 as operações dessa natureza restringiam-se a apenas sete estados, o novo modelo expandiu a atuação para as 27 unidades da Federação.

A região amazônica recebeu atenção prioritária, com foco centralizado em sete áreas estratégicas que abrangem 42 municípios distribuídos por seis estados: Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Paraná (este último integrado ao fluxo logístico das rotas).

Cooperação no mercosul: o crime não respeita fronteiras

Reconhecendo o caráter transnacional das facções criminosas, o governo brasileiro buscou o fortalecimento de laços com os países vizinhos. Em Assunção, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, reuniu-se com Jalil Rachid, titular da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad).

O encontro selou a continuidade da operação Nova Aliança, parceria de longo prazo com a PF que, desde 2012, já destruiu 1.218 acampamentos de cultivo, eliminou 11,2 milhões de quilos de maconha e causou um prejuízo direto de R$ 1,6 bilhão às organizações regionais.

O ministro brasileiro também apresentou as diretrizes e os resultados do programa nacional durante a 55ª Reunião de Ministros do Interior e Segurança do Mercosul (RMIS) e a 63ª Reunião de Ministros da Justiça do bloco (RMJ).

“Quanto mais forte a capacidade de cada Estado-Parte, mais resiliente será nossa região frente às ameaças comuns”, defendeu Wellington Lima, sinalizando que o Brasil pretende liderar uma resposta coordenada de segurança em toda a América Latina.

*Com informações da Agência Gov|Via MJSP

Foto: divulgação/PF