Como fatores externos e segurança centralizam a disputa presidencial no Brasil

A quatro meses da eleição, tarifaço de Trump e avanço do crime organizado desafiam o governo Lula e dão munição para a oposição

Como fatores externos e segurança centralizam a disputa presidencial

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 07/06/2026 às 10:57 | Atualizado em: 07/06/2026 às 10:57

A corrida ao Planalto ganhou contornos inéditos onde as fronteiras geográficas parecem se diluir – a quatro meses da eleição presidencial. Quatro grandes temas despontam como cruciais para o embate entre o presidente Lula da Silva e os candidatos da oposição:

  • – as relações bilaterais com os Estados Unidos após o novo tarifaço de Washington,
  • – a segurança pública frente ao avanço das facções criminosas,
  • – a economia pressionada pela crise fiscal
  • – e a condição das mulheres.

Para analistas políticos, a intersecção dessas pautas será o grande divisor de águas na formação do voto dos brasileiros. A maior surpresa da campanha, contudo, vem de fora. A informação foi publicada pelo Correio Braziliense.

O anúncio recente de barreiras alfandegárias pelos EUA empurrou a política externa diretamente para o centro do debate eleitoral, sendo explorada estrategicamente por ambos os lados.

“Pela primeira vez em muitos anos, a disputa presidencial corre o risco de ser influenciada de maneira significativa por uma decisão tomada fora do país. Donald Trump surge como uma das variáveis mais imprevisíveis do processo eleitoral brasileiro.”

— Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília (UnB).

O fator segurança e a Influência de Washington

Se a economia e a inflação costumam ditar os rumos das eleições no país, a segurança pública e o crime organizado prometem rivalizar com o bolso do eleitor em 2026. A recente decisão do governo de Donald Trump de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas internacionais ecoou fortemente no cenário doméstico.

A oposição encontrou na medida americana o combustível que precisava para endurecer o discurso. De acordo com Márcio Coimbra, cientista político e CEO da Casa Política, a interferência externa chancelou e fortaleceu a narrativa de que o Brasil necessita de medidas mais rígidas no combate à criminalidade.

Historicamente, o clamor por segurança cria um terreno mais fértil para candidatos de direita. Medeiros aponta que a percepção de insegurança generalizada e o crescimento do crime organizado colocam governos progressistas naturalmente na defensiva, abrindo espaço para discursos punitivistas de forte apelo popular.

Para além do policiamento das ruas, a pauta de segurança se tornou transversal. Segundo o economista e professor da UnB, César Bergo, o debate agora é amplo e sofisticado, exigindo respostas que vão desde a vigilância das fronteiras físicas e o combate às milícias até o controle do ambiente digital.

Dessa maneira, nos próximos meses, o candidato que conseguir equilibrar a responsabilidade fiscal com soluções concretas para o medo da população deve largar na frente.

Leia mais no Correio Braziliense.

Leia mais

China não dorme e está de olho em Trump na eleição no Brasil

Foto: David Maxwell/Agência Lusa