Cidade reage a críticas e vê disputa eleitoral ao governo por trás

Governador nega prejuízos à UEA e afirma que medidas fiscais estão sendo usadas como arma política

Ana de Oliveira, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 11/06/2026 às 11:52 | Atualizado em: 11/06/2026 às 11:52

O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), reagiu nesta quinta-feira (11 de junho) às críticas sobre o contingenciamento de recursos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

À imprensa, Cidade atribuiu os questionamentos à antecipação da disputa eleitoral de 2026 e afirmou que as medidas adotadas pelo governo seguem critérios técnicos para enfrentar a queda de arrecadação do estado.

O embate ganhou força após o senador e pré-candidato a governador Omar Aziz (PSD) e outros políticos questionar a retirada de R$ 100 milhões previstos para a UEA e relacionar a medida à situação financeira da Amazonprev, fundação de previdência estadual que tem investimentos investigados em operações ligadas ao banco Master.

Sem citar diretamente o senador, Cidade afirmou que adversários da “velha política” estariam tentando desgastar sua gestão.

“Hoje eu quero dizer que nós precisamos ver esses políticos, a velha política, trazendo recursos para o estado do Amazonas, ajudando o nosso estado, não atrapalhando o nosso estado”.

O governador também afirmou que não será intimidado por críticas e que continuará adotando medidas que considera necessárias para manter o funcionamento dos serviços públicos.

“Não vai ser uma narrativa política de alguém que é da velha política, de alguém que sabe fazer terror, para poder dizer que é a pessoa que vai solucionar”.

O governador também disse que não pretende deixar críticas sem resposta.

“Eu não vou me calar dessas narrativas. Eu vou falar para a população, vou sempre dizer o que está acontecendo e falar a verdade”.

Leia mais

Aziz acusa Cidade de desviar R$ 100 milhões da UEA para cobrir rombo do Master

Queda na arrecadação

Ao justificar as medidas fiscais adotadas pelo Executivo, Cidade afirmou que o Amazonas enfrenta uma redução significativa de receitas provocada pela desvalorização do dólar, fator que afeta diretamente a arrecadação estadual.

“Esse ano nós tivemos uma queda de arrecadação. E essa queda de arrecadação é devido à queda do dólar. O dólar está baixo e quando o dólar cai, a nossa arrecadação cai”.

Segundo o governador, a perda de arrecadação chegou a R$ 695 milhões nos primeiros meses de 2026, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Leia mais

Cidade torce pela Seleção pensando na economia do Amazonas

Afeam também entra no debate

Cidade também respondeu às críticas relacionadas à proposta de utilização de recursos parados da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam). Segundo ele, a medida possui precedentes em administrações anteriores e não comprometerá as linhas de crédito destinadas a micro e pequenos empreendedores.

“Isso é narrativa política, porque não tem como me atacar. E lá está contingenciado mais de 200 milhões de reais. Qual é o nosso objetivo? É retirar 100 milhões de reais, para que a gente possa continuar com os serviços essenciais”.

A presidente da Afeam, Cristina Coelho, afirmou que a agência continuará operando normalmente e garantiu que há recursos suficientes para atender a demanda de microcrédito.

“Nenhum cliente que procure a Afeam vai ficar desassistido. Hoje temos R$ 300 milhões destinados no nosso orçamento para aplicação no microcrédito”.

Cidade voltou a associar as críticas ao cenário pré-eleitoral e disse que seu foco permanece na administração do estado.

“Eles estão antecipando o processo eleitoral e criando uma narrativa para vir me questionar”.

Foto: BNC Amazonas