Master e apoio aos EUA derrubam simpatia de evangélicos a Flávio Bolsonaro

Pesquisa mostra queda de 9 pontos do senador entre evangélicos, enquanto Lula avança no segmento.

O ponto cego de Flávio Bolsonaro: Onde estão os celulares brasileiros?

Publicado em: 12/06/2026 às 08:59 | Atualizado em: 12/06/2026 às 09:03

A vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) entre os eleitores evangélicos encolheu de forma significativa e, por consequência, passou a acender alertas entre aliados do senador. De acordo com pesquisa Genial/Quaest, o pré-candidato perdeu nove pontos nesse segmento em apenas um mês, ao mesmo tempo em que o presidente Lula ampliou sua presença entre os religiosos.

No entanto, no cenário de segundo turno medido pelo levantamento, Lula aparece com 44% das intenções de voto, contra 38% de Flávio Bolsonaro. Esse movimento, por sua vez, foi impulsionado principalmente pela mudança de humor do eleitorado evangélico, considerado um dos pilares do bolsonarismo.

Já entre os católicos, o desempenho do senador permaneceu estável. Flávio manteve 34% das intenções de voto, mesmo índice registrado na pesquisa anterior. Em contrapartida, entre os evangélicos, caiu de 61% para 52%, enquanto Lula avançou de 24% para 31%.

Segundo lideranças religiosas ouvidas pela Folha, parte desse desgaste está ligada às repercussões do caso banco Master. Nesse sentido, a avaliação é de que a controvérsia envolvendo Daniel Vorcaro gerou desconfiança entre parcela do eleitorado evangélico.

Além disso, o tema ganhou força após a revelação de que o número de celular de Flávio Bolsonaro foi encontrado entre os contatos do ex-banqueiro. Na ocasião, o senador afirmou que não mantinha relação com Vorcaro e argumentou que seu telefone era de conhecimento público.

Reação nas redes

Sinais de desgaste já haviam aparecido nas redes sociais. Levantamento da consultoria Ativaweb DataLab, que analisou mais de 17 milhões de menções após a Marcha para Jesus da semana passada, identificou predominância de manifestações negativas relacionadas ao senador.

Segundo o estudo, 51,9% das citações tiveram tom desfavorável. Parte das críticas foi motivada pela declaração de Flávio de que o Brasil vive uma “guerra espiritual” e que “o mal vai ser expulso do governo”.

Os pesquisadores também registraram manifestações de cristãos contrários ao uso da Marcha para Jesus como espaço de disputa político-eleitoral.

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Foto: Bruno Peres/Agência Brasil