Cemitério clandestino marca presença de facção Tren de Aragua em Roraima
Grupo criminoso venezuelano expandiu atuação para o Brasil e mantém influência sobre garimpo, tráfico e migração ilegal.
Publicado em: 15/06/2026 às 10:20 | Atualizado em: 15/06/2026 às 10:24
Um cemitério clandestino encontrado pela polícia em Boa Vista, no início de 2025, expôs a dimensão da atuação da facção venezuelana Tren de Aragua em Roraima. No local, foram encontrados ao menos nove corpos, a maioria de migrantes venezuelanos assassinados e enterrados em uma área de mata na capital.
Segundo as investigações, os homicídios teriam sido cometidos por integrantes de diferentes grupos criminosos. A descoberta reforçou o alerta das autoridades sobre a presença da organização venezuelana no estado, onde a facção já atua em municípios como Boa Vista, Pacaraima, Cantá e Rorainópolis.
Criado dentro da prisão de Tocorón, na Venezuela, o Tren de Aragua se expandiu para vários países da América do Sul e passou a atuar em atividades como tráfico de drogas, armas, pessoas, exploração sexual, extorsão e mineração ilegal.
Garimpo e fronteira
Especialistas apontam que a proximidade com a Venezuela favoreceu a consolidação do grupo em Roraima. A cidade de Pacaraima funciona como principal porta de entrada para integrantes da facção, armas e mercadorias ilegais que cruzam a fronteira por rotas clandestinas conhecidas como trochas.
Além do tráfico de drogas e armas, a facção encontrou no garimpo ilegal uma importante fonte de renda. Segundo pesquisadores e autoridades, o grupo participa do abastecimento de áreas de mineração com combustíveis, alimentos, equipamentos e mão de obra, além de atuar no recrutamento de migrantes venezuelanos.
As investigações também apontam ligações da organização com facções brasileiras, especialmente o PCC e setores do Comando Vermelho, em esquemas ligados ao tráfico de drogas e armas.
A violência empregada pelo Tren de Aragua é considerada uma das marcas do grupo. Em diferentes ocasiões, a polícia encontrou em Roraima corpos decapitados, mutilados ou abandonados em áreas de mata, crimes atribuídos a integrantes da facção.
Apesar do avanço do grupo criminoso, dados recentes mostram que Roraima registrou queda nos índices de homicídios nos últimos anos. Ainda assim, autoridades e especialistas apontam que a presença da organização continua sendo um dos principais desafios para a segurança pública na região de fronteira.
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Foto: divulgação
