Morre o jornalista Nelson Brilhante
O jornalista e radialista Nelson Brilhante, referência na cobertura esportiva do Amazonas, morreu em sua querida Parintins.
Neuton Corrêa, da equipe do BNC Amazonas
Publicado em: 14/06/2026 às 20:04 | Atualizado em: 14/06/2026 às 20:08
Parintins perdeu neste domingo, 14 de junho, uma de suas vozes mais conhecidas e uma de suas memórias mais generosas. Morreu, aos 65 anos, o jornalista, professor de Letras, radialista e comunicador Nelson Brilhante.
Internado havia três dias em Parintins, Nelson morreu no início da noite. EL morava em Manaus nos últimos anos, mas havia retornado à ilha para viver aquilo que chamava de seu período sabático, uma espécie de reencontro com a cidade, os amigos e as lembranças que ajudou a construir ao longo de décadas.
Professor, repórter, apresentador, narrador esportivo, comentarista, Nelson Brilhante foi daqueles profissionais que não apenas testemunharam a história de Parintins. Ele fez parte dela.
Trabalhou na Rádio Alvorada de Parintins, onde se tornou uma referência para gerações de ouvintes, especialmente no esporte. Durante anos comandou a tradicional Resenha Esportiva, programa que transformava resultados de jogos em boas histórias e fazia dos bastidores do futebol assunto de conversa para a semana inteira.
Também integrou a equipe do jornal A Crítica, em Manaus, onde tive o privilégio de ser seu colega durante uma década.
Mas Nelson não era apenas um jornalista. Era um guardião de memórias.
Guardava fatos, personagens, datas e detalhes que pareciam morar exclusivamente em seus arquivos pessoais e em seu coração. Sabia histórias que não estavam nos livros, nem nos jornais, nem nos registros oficiais.
A última vez que conversamos foi durante o Carnaval deste ano, em Parintins.
Falamos de esporte, assunto que sempre o fazia abrir um sorriso. Relembramos a trajetória do já falecido atleta Onildo Filho, personagem lendário do esporte parintinense.
Nossa curiosidade era antiga: como Onildo conseguia nadar tanto?
Lembramos da vez em que ele contornou a ilha de Parintins e de outros desafios que pareciam impossíveis para qualquer pessoa comum. Nelson dizia conhecer detalhes dessas aventuras. Conhecia técnicas, bastidores, histórias que poucos haviam ouvido.
A conversa terminou com uma promessa.
Marcamos um encontro para um podcast. Ele contaria tudo.
Não houve tempo.
Como tantas outras histórias de Parintins, essas também ficaram guardadas com o Nelson.
E não foram as únicas.
Há outro segredo que ele carregou até o fim. Entre amigos, Nelson cultivava um mistério quase folclórico: nunca revelava qual era o boi de seu coração.
Em uma cidade dividida entre azul e vermelho, entre Caprichoso e Garantido, ele atravessou décadas sem entregar publicamente sua preferência.
Era um feito raro para um parintinense.
Agora, parte levando consigo esse segredo.
Levando também causos, personagens, memórias do rádio, do esporte, da política, da cultura e da própria cidade que talvez nunca sejam completamente conhecidos.
Parintins perde um jornalista.
A comunicação perde uma voz.
Os amigos perdem um contador de histórias.
E eu perco um colega que, durante dez anos de convivência profissional, me ensinou que informação não é apenas aquilo que está escrito. Informação também mora nas lembranças, nas conversas de esquina, nos detalhes aparentemente sem importância que ajudam a explicar quem somos.
Nelson Brilhante partiu.
E, como acontece com os grandes narradores, deixou a sensação de que a transmissão terminou cedo demais.
Algumas histórias ele contou.
Outras, infelizmente, levou consigo.
Foto: Redes Sociais
