Caso Master: Vorcaro fracassa na segunda tentativa de delatar à PGR
Procuradoria-Geral da República e Polícia Federal recusam o segundo acordo de colaboração premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Publicado em: 15/06/2026 às 19:09 | Atualizado em: 15/06/2026 às 19:09
A Procuradoria-Geral da República (PGR) comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (15/6), a rejeição da segunda proposta de colaboração premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão acompanha o entendimento da Polícia Federal, que já havia recusado o acordo no último dia 10 de junho, informando os advogados do dono do Banco Master.
Vorcaro está preso desde o dia 4 de março de 2026, quando foi alvo de uma das fases da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras e corrupção. Com a negação do acordo, a defesa do ex-banqueiro aguarda a decisão do relator do caso, ministro André Mendonça, sobre o pedido da PF para transferi-lo da sala de Estado-Maior da Superintendência da Polícia Federal para um presídio comum.
Histórico e Cronologia do Caso
Prisão em Guarulhos e Liquidação do Banco (Novembro de 2025)
Daniel Vorcaro foi preso em flagrante pela PF em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos (SP), enquanto tentava embarcar em um jatinho particular com destino a Dubai. Paralelamente, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de sua corretora de câmbio por fraudes na emissão de títulos de crédito. Após 11 dias detido, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) converteu a prisão em medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica.
Segunda Prisão e “A Turma” (Março de 2026)
Em 4 de março de 2026, o ministro André Mendonça determinou a prisão preventiva de Vorcaro na terceira fase da Operação Compliance Zero. A PF apontou que o ex-banqueiro liderava “A Turma”, um grupo de inteligência e coerção voltado para invasões cibernéticas e intimidação de desafetos e jornalistas.
Na mesma ação, foram presos seu cunhado, Fabiano Zettel (administrador de empresas do grupo), e Luiz Philip Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como braço operacional da organização, que tirou a própria vida na cela e faleceu dois dias depois. Após o ocorrido, Vorcaro foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília.
Desdobramentos sobre Núcleos Políticos e Familiares (Abril e Maio de 2026)
As investigações avançaram sobre uma rede de proteção institucional:
16 de abril: Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, foi preso sob suspeita de receber propina em imóveis de luxo para viabilizar operações sem lastro para o Banco Master.
7 de maio: Endereços do senador Ciro Nogueira foram alvo de buscas. A PF sustenta que o parlamentar usou o mandato para favorecer o ex-banqueiro em troca de vantagens indevidas.
13 de maio: Áudios revelaram pedidos do senador Flávio Bolsonaro por apoio financeiro ao documentário Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Flávio confirmou ter se reunido com Vorcaro em dezembro de 2025.
14 de maio: Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, foi preso suspeito de repassar ordens e pagamentos para as ações de intimidação da “Turma”.
19 de maio: A sexta fase da operação prendeu e afastou policiais federais e peritos suspeitos de vazar informações sigilosas e acessar ilegalmente bancos de dados do Ministério Público Federal e da Interpol para o esquema de espionagem.
Recusas das Delações e Troca de Defesa (Maio e Junho de 2026)
A primeira proposta de delação de Vorcaro foi rejeitada pela PF em 20 de maio por ser considerada superficial e omitir nomes do núcleo político. Diante disso, aliados do ex-banqueiro avaliaram que a atuação do advogado José de Oliveira Lima, o Juca, havia tensionado a relação com o ministro André Mendonça. A defesa foi reestruturada: Juca deixou o caso, o advogado criminal Sérgio Leonardo assumiu o comando e a equipe de advogados foi reduzida de 14 para cinco integrantes.
Nos dias 1º e 2 de junho, a nova defesa protocolou uma segunda proposta na PGR, expandindo os relatos para incluir detalhes sobre pagamentos periódicos a Ciro Nogueira e o financiamento do filme solicitado por Flávio Bolsonaro. Apesar da ampliação, a PF rejeitou o texto no dia 4 de junho, posicionamento que foi formalizado e seguido pela PGR nesta segunda-feira (15).
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