Hugo Motta quer votar projeto 6×1 do governo para destravar pauta

Presidente da Câmara pauta projeto do governo sobre fim da escala de trabalho 6x1 para liberar as votações da Casa.

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 15/06/2026 às 21:08 | Atualizado em: 15/06/2026 às 21:09

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) convocou reunião de líderes para esta terça-feira (16 de junho), às 14 horas, para discutir o projeto de lei 1838/26, de autoria do Poder Executivo, que acaba com a escala de trabalho 6×1.

Embora a Câmara já tenha aprovado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/19), com o mesmo teor, já tenha sido aprovada no último dia 27 de maio e está em compasso de espera para análise no Senado, Motta quer votar o PL do governo para destravar a pauta de votação da Casa, visto que está em regime de urgência.

“Convoquei reunião de Líderes para amanhã (16), às 14h. Na ocasião, o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) vai esclarecer pontos do seu parecer sobre o PL que acaba com a escala 6×1, apesar de já termos aprovado a PEC sobre a redução da jornada de trabalho. Com a apreciação da matéria, destravamos a pauta da Câmara, anunciou Motta em suas redes sociais.

Manutenção do texto

Escolhido na última quinta-feira (11) para relatar a proposta do governo, o relator Leo Prates – o mesmo da PEC 221 – reduziu a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e acabou com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1), estabelecendo a escala de cinco dias de trabalho por dois de folga (5×2).

Desse modo, a ideia é manter o mesmo texto aprovado na PEC e realizar votação o mais rápido possível. Assim, a pauta da Câmara fica liberada para votar outras propostas de interesse da Casa.

Retirada de urgência

O deputado federal Saullo Vianna (MDB-AM), membro da Comissão Especial que analisou a PEC do fim da escala 6×1, admitiu que a urgência do PL 1828/26 foi estratégia do Planalto para travar a pauta da Câmara e forçar uma votação.

“Eles [governo] poderiam retirar a urgência e não fizeram. Além do mais, a PEC já foi aprovada”, comentou Vianna.

Questionado se há algum risco desse projeto cair na Câmara por conta dessa estratégia do governo, o deputado amazonense rebateu:

“Acho difícil derrubar, mas vamos ter que votar para destravar a pauta”, complementou Saullo Vianna.

Regulamentação necessária

Por sua vez, o deputado Alberto Neto (PL-AM), um dos principais nomes da oposição ao governo Lula, disse não ter lido o texto do projeto de lei 1828 a ser votado nesta terça-feira, pela Câmara.

“Mas a PEC 221/19 precisa de regulamentação porque temos diversos tipos de trabalho, mas o Partido Liberal é favorável à redução da jornada de trabalho.

Alberto Neto foi um dos nomes do PL que votaram a favor da PEC aprovada na Câmara, embora o partido tenha recomendado rejeição.

No dia 27 de maio, a PEC 221/19, com fim da escala 6×1, foi aprovada em 2º turno com 461 votos a favor e 19 contra. No 1º turno, foram 472 votos a favor e 22 contra.

Foto: Thiago Cristino/Câmara dos Deputados