Trabalhadores da Embrapa cobram avanços em acordo coletivo

Sem respostas às reivindicações salariais e sociais, categoria cruzará os braços neste 17 de junho; unidades do Amazonas também aderem ao movimento

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 17/06/2026 às 07:50 | Atualizado em: 17/06/2026 às 07:56

Trabalhadoras e trabalhadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) decidiram realizar uma paralisação nacional neste dia 17 de junho.

A medida foi aprovada em assembleias promovidas pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf) em unidades da empresa em todo o país e reflete a insatisfação da categoria com a falta de avanços nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027.

Entre as principais reivindicações estão a recomposição salarial, melhorias nos benefícios, ampliação e manutenção de direitos, valorização profissional, melhores condições de trabalho, ações voltadas à saúde e à qualidade de vida, além do reconhecimento de demandas específicas, como a implementação do Adicional de Escolaridade para assistentes e técnicos.

Na pauta econômica, os trabalhadores reivindicam reajuste correspondente à inflação acumulada pelo IPCA entre maio de 2025 e abril de 2026, acrescido de 2% de ganho real. Também pedem a recomposição das perdas salariais registradas entre maio de 2018 e abril de 2024, com base no índice inflacionário do período e na variação dos últimos 12 meses do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário, além do pagamento retroativo dos valores devidos.

Segundo o SINPAF, em oito rodadas de negociação a direção da Embrapa ainda não apresentou propostas para as cláusulas econômicas, argumentando que as decisões dependem de instâncias superiores, como o Conselho de Administração (Consad), o Comitê de Auditoria (COAUD) e a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). O sindicato afirma que também houve poucos avanços nas cláusulas sociais.

A entidade avalia que o calendário eleitoral torna ainda mais urgente a conclusão das negociações, uma vez que os prazos para formalização de acordos e implementação de medidas tendem a ser mais restritos em anos de eleição.

Mobilização

A paralisação dá continuidade ao processo de mobilização iniciado no fim de abril, quando manifestações simultâneas foram realizadas em diversas unidades da Embrapa em defesa do ACT 2026/2027. Para o sindicato, a ausência de respostas após os atos demonstra a necessidade de intensificar a pressão sobre a empresa.

“O Sinpaf entende que os profissionais que constroem diariamente essa trajetória de excelência não podem permanecer sem respostas concretas às reivindicações apresentadas na campanha salarial”, afirmou o presidente da entidade, Jean Kleber de Sousa Silva.

No Amazonas, trabalhadores da Embrapa também aderiram à mobilização nacional. As unidades do estado participarão do movimento em sintonia com as demais regiões do país, reforçando as cobranças por recomposição salarial, valorização profissional, melhorias nas condições de trabalho e ampliação de direitos.

De acordo com o sindicato, a participação das unidades amazonenses evidencia que a insatisfação com a condução das negociações é uma demanda nacional dos profissionais da pesquisa agropecuária e está diretamente ligada ao fortalecimento da Embrapa, considerada uma das principais instituições brasileiras nas áreas de ciência, inovação tecnológica, segurança alimentar e sustentabilidade.

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