Garimpo e crimes ambientais persistem no sul do Amazonas

Operação do ICMBio destrói maquinários no parque nacional Campos Amazônicos e expõe o avanço do garimpo, grilagem e extração de madeira contra povos tradicionais.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 22/06/2026 às 12:02 | Atualizado em: 22/06/2026 às 12:04

A persistência do garimpo ilegal no sul do Amazonas, frequentemente associado a uma rede de crimes ambientais que inclui o desmatamento, a grilagem de terras e a extração ilegal de madeira, voltou a ser alvo das forças de segurança neste mês de junho.

Durante a operação Argus 3, agentes federais e estaduais impuseram um prejuízo de mais de R$ 3,26 milhões a grupos criminosos que atuam no parque nacional Campos Amazônicos.

Realizadas entre o fim de maio e o início de junho, as incursões resultaram na inutilização de três escavadeiras hidráulicas, oito motores-bomba, três motores-geradores, uma balsa, antenas de internet via satélite e mais de três mil litros de diesel.

A ação foi coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio da divisão de ações aéreas do órgão, além da força nacional e da polícia militar do Amazonas.

Para as autoridades, os números refletem uma realidade complexa na região sul do estado, onde o isolamento geográfico facilita a consolidação de redes criminosas.

O coordenador da operação e chefe do núcleo de gestão integrada do ICMBio em Humaitá, Sidney Rodrigues, ressalta que o impacto das atividades ilegais vai muito além da degradação ambiental, configurando uma grave crise de direitos humanos.

Impacto nas comunidades e segurança pública

Os danos provocados pelo garimpo e pela exploração madeireira na região extrapolam a supressão vegetal.

O uso desenfreado de mercúrio contamina os rios e compromete a saúde pública, enquanto a devastação da floresta afeta a segurança alimentar de populações indígenas e ribeirinhas.

A atividade também é recorrentemente ligada à exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão.

O balanço da operação Argus evidencia que o combate à criminalidade ambiental na Amazônia atua como política indissociável de segurança pública. Contudo, o monitoramento contínuo esbarra na necessidade de ações mais amplas do Estado na localidade.

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Foto: divulgação/ICMBio