O efeito eleição de Roraima chega ao Amazonas?
Vitória de Arthur Henrique em Roraima reacende debate sobre a capacidade do bolsonarismo de unificar a direita e reproduzir o mesmo efeito no Amazonas em 2026.
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 22/06/2026 às 06:39 | Atualizado em: 22/06/2026 às 06:39
A eleição suplementar de Roraima produziu neste domingo (21) uma vitória política do PL antes mesmo de produzir, juridicamente, um governador eleito. Arthur Henrique foi o mais votado, com 60,87% dos votos válidos, mas não foi proclamado vencedor porque seu registro de candidatura segue sub judice.
Ainda assim, o resultado já entrou no radar da política do Amazonas por uma pergunta inevitável: a força do condão de Flávio Bolsonaro e do bolsonarismo, que empurrou Arthur em Roraima, também funcionará aqui em 2026?
A comparação exige cautela. Roraima é hoje uma das vitrines mais fortes do bolsonarismo no país. Em 2018, Jair Bolsonaro derrotou Fernando Haddad no estado com 71,55% dos votos. Em 2022, ampliou a vantagem: fez 76,08% contra 23,92% de Lula.
O ambiente era tão favorável que Arthur Henrique, reeleito prefeito de Boa Vista em 2024 pelo MDB, migrou para o PL e, dois anos depois, apareceu como candidato capaz de unificar a direita local.
Amazonas
No Amazonas, o desenho é outro. Bolsonaro venceu Haddad em 2018, mas por margem mínima: 50,27% a 49,73%. Quatro anos depois, Lula virou o placar e derrotou Bolsonaro no estado por 51,10% a 48,90%. O resultado expõe a diferença central entre os dois vizinhos: em Roraima, a direita é majoritária e mais compacta; no Amazonas, ela existe, é forte em Manaus, mas encontra resistência no interior, onde Lula e o petismo mantêm peso eleitoral.
Resistência
É nesse ponto que a transferência do “modelo Roraima” encontra obstáculos. Maria do Carmo, candidata do PL ao governo do Amazonas, tenta ocupar o lugar de representante prioritária da direita. Mas não está sozinha nesse campo. David Almeida (Avante) se apresenta como evangélico e conservador. Roberto Cidade governa pelo União Brasil, partido de Wilson Lima, eleito e reeleito sob forte influência da onda bolsonarista. Ou seja: no Amazonas, a direita não está concentrada em uma candidatura.
Há também fissuras internas. Coronel Menezes, que já foi a principal face do bolsonarismo no estado, apoia David Almeida. Cabo Maciel (PL) declarou apoio a Wilson Lima, não ao candidato prioritário do PL ao Senado, o deputado federal Capitão Alberto Neto. E Maria do Carmo perdeu, recentemente, o apoio do deputado Delegado Péricles, também do PL.
Por isso, a vitória política de Arthur Henrique serve menos como profecia e mais como alerta. Ela mostra que Flávio Bolsonaro pode ser um cabo eleitoral relevante onde o campo da direita está organizado, identificado e reunido em torno de um nome. Mas o Amazonas não é Roraima. Aqui, o bolsonarismo disputa espaço não apenas contra Lula e Omar Aziz, mas dentro da própria direita.
O resultado de Roraima fortalece o PL no Norte. Mas, no Amazonas, a pergunta continua aberta: Maria do Carmo conseguirá fazer o que Arthur fez? Ela vai agregar a direita em torno de si? Será apenas uma entre várias candidaturas tentando falar com o mesmo eleitor?
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Foto: reprodução/rede social
