Ancestralidade e diversidade marcam a segunda noite em Parintins
Caprichoso exalta a floresta como território sagrado e Garantido celebra a pluralidade dos povos amazônicos na reta final do Festival Folclórico de Parintins.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 28/06/2026 às 12:04 | Atualizado em: 28/06/2026 às 12:07
A segunda noite do 59º Festival Folclórico de Parintins consolidou, neste sábado (27 de junho), o protagonismo da cultura amazônica na arena do bumbódromo. Em espetáculos de forte apelo visual e simbólico, Caprichoso e Garantido transformaram a disputa em uma celebração da ancestralidade, das lendas amazônicas, dos povos originários e da diversidade que caracteriza a Amazônia.
O Caprichoso apresentou o subtema “O brinquedo ancestral canta: Amazônia, o chão da vida”, aprofundando o conceito central de 2026, “O brinquedo que canta seu chão”. O espetáculo conduziu o público por uma narrativa em que a floresta surge como um território vivo, protegido por encantados, guardiões espirituais e pelos conhecimentos ancestrais dos povos indígenas.
Já o Garantido encerrou sua apresentação com o subtema “Parintins, portal da diversidade”, exaltando a ilha como espaço de encontro entre culturas, tradições e identidades amazônicas. A proposta reforçou a ideia de pertencimento e de que todos os povos da floresta compartilham uma mesma origem e um mesmo destino.
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Lendas e rituais dominam a arena
No espetáculo azul e branco, a grande alegoria da noite foi a lenda amazônica “Curupira, o guardião da vida”, criada por Roberto Reis. O personagem mítico apareceu como defensor da floresta, dos animais e do equilíbrio ambiental, sintetizando a mensagem de preservação da Amazônia.
Em um dos momentos mais aplaudidos, a cunhã-poranga Marciele Albuquerque surgiu da monumental estrutura alegórica, arrancando aplausos das arquibancadas.
Outro momento de impacto foi o ritual do pajé “Transcendência asurini – Maraká”, concebido por Kennedy Prata. O item oficial Erick Beltrão conduziu uma apresentação marcada por efeitos cênicos e referências à espiritualidade indígena, simbolizando a ligação entre natureza, coletividade e sabedoria ancestral.
A apresentação ainda homenageou os pescadores e pescadoras da Amazônia, retratando homens e mulheres que fazem dos rios sua forma de vida e preservam conhecimentos transmitidos entre gerações.
A participação da galera azul e branca manteve o padrão de forte envolvimento do início ao fim da evolução, sustentando o espetáculo com coreografias sincronizadas e intensa interação com o boi.


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No lado vermelho, o Garantido levou para a arena uma narrativa baseada na diversidade cultural da Amazônia. Um dos momentos mais aguardados foi a evolução da cunhã-poranga Isabelle Nogueira na alegoria “Kamara”, inspirada na cosmologia do povo hexkaryana.
A estrutura apresentou a onça ancestral como guardiã da floresta e dos ciclos da natureza, reforçando a visão indígena de que todos os seres compartilham espírito, memória e responsabilidade pela manutenção do equilíbrio ambiental.
Ao longo da apresentação, o boi do coração na testa ressaltou que Parintins reúne diferentes histórias, ritos, lendas e tradições em um mesmo território, transformando a ilha em símbolo da diversidade amazônica.
A galera encarnada também respondeu com grande participação durante toda a apresentação, mantendo o ambiente de festa e disputa que caracteriza o Festival Folclórico de Parintins.


Decisão será neste domingo
Com duas noites de apresentações concluídas, a definição do campeão do 59º Festival Folclórico de Parintins fica para este domingo (28), quando Caprichoso e Garantido voltam ao bumbódromo para a terceira e decisiva disputa.
Depois de duas noites marcadas por grandes alegorias, lendas amazônicas, rituais indígenas e manifestações de pertencimento à floresta, a expectativa é de mais um espetáculo de alto nível técnico e artístico, consolidando Parintins como uma das maiores expressões da cultura popular brasileira.
Fotos: Mauro Neto e Tiago Correa/Secom
