Sistemas agrícolas indígenas fortalecem luta por autonomia na Amazônia
Comunidades defendem direitos territoriais para preservar modelo tradicional e conter o desmatamento
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 30/06/2026 às 11:17 | Atualizado em: 30/06/2026 às 11:17
Povos indígenas da Colômbia e do Equador utilizam os sistemas agrícolas tradicionais conhecidos como “chagras” e “chakras” para fortalecer a segurança alimentar e reivindicar maior autonomia política e proteção de seus territórios na Amazônia.
As comunidades defendem o modelo como instrumento de preservação ambiental diante das pressões da mineração e do agronegócio.
No Equador, as “chakras” foram reconhecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) como Sistema Importante do Patrimônio Agrícola Global (Sipam). Na Colômbia, lideranças indígenas defendem a implementação das Entidades Territoriais Indígenas para ampliar a autonomia política e administrativa.
Segundo a antropóloga Marcia Chapetón, da organização Gaia Amazonas, “a forma mais direta de garantir a continuidade das ‘chagras’ é proteger os direitos territoriais dos povos indígenas”.
Ameaças aos territórios
Um dos principais desafios enfrentados pelas comunidades é o avanço da mineração. Em 2025, a Corte Constitucional da Colômbia reconheceu que a contaminação por mercúrio decorrente da atividade coloca em risco povos indígenas da região de Jaguares del Yuruparí.
Chapetón também defendeu o fortalecimento dos sistemas alimentares locais.
“O que precisamos é fortalecer todos os sistemas alimentares locais para que possam produzir alimentos para as pessoas ao seu redor”, afirmou.
Para Kelly Johanna Yucuna, agricultora da Amazônia colombiana, a importância do sistema vai além da produção de alimentos.
“A chagra representa a vida, representa as mulheres, representa tudo para nós”, afirmou.
Saiba mais em BBC.
Foto: J G Soler/ Fundação Gaia Amazonas
