Preparador de artistas do Rio revela aprendizado com Caprichoso
Ele explicou que lhe causou temor a complexidade do espetáculo ao vivo com várias atividades acontecendo ao mesmo tempo.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 06/07/2026 às 14:21 | Atualizado em: 06/07/2026 às 14:21
O preparador de atores Ricardo Conti, profissional baseado no Rio de Janeiro, revelou que contribuiu p
ara encontrar unidade e harmonia no elenco do boi-bumbá Caprichoso em cena.
Também disse que apontou caminhos para fortalecer a presença, individual, das
personagens em cena, na arena do bumbódromo.
Conti comemorou a vitória do Caprichoso diante do rival Garantido, em razão de fazer parte do coletivo artístico que arrancou as melhores notas dos jurados.
Caprichoso e Garantido concorrem anualmente no Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, desde 1965.
Ambos intercambiam experiências artísticas com profissionais de outros estados, principalmente com os do Rio de Janeiro e São Paulo.
Para Conti, que atua em musicais e acompanha grandes produções musicais, como a do Natal Luz de Gramado, explicou que lhe causou temor a complexidade do espetáculo ao vivo com várias atividades acontecendo ao mesmo tempo.
“Tenho alguma noção das necessidades técnicas para se realizar um grande evento deste porte, envolvendo artistas que cantam ao vivo, com instrumentos ao vivo, com narrações do apresentador, o levantador de toadas circulando pela arena. Não é nada fácil. Esse foi o ponto que mais temia”.
Como medida para aperfeiçoar ainda mais o espetáculo, ele sugere que em alguns pontos da arena poderia haver melhor equilíbrio dos limites acústicos.
Neste ano, a disputa entre Caprichoso e Garantido ocorreu, como manda a tradição, no último fim de semana de junho, e reuniu mais de 100 mil turistas, segundo estimativa da Secretaria de Estado da Cultura (SEC), organizadora do evento.
Leia mais
Especial BNC | Bloco musical deu base do título do boi Caprichoso
Entrevista
Qual o resultado desse intercâmbio cultural com a Amazônia?
O resultado foi o mais positivo possível, a vitória e a comprovação de um bom trabalho realizado, todos saindo felizes.
Tivemos três semanas para trabalharmos em cima de algo que já tinha um caminho muito apontado e com artistas que já realizam esse trabalho há muitos anos.
A intenção foi primeiro encontrar uma unidade e harmonia no coletivo desse elenco, e apontar individualmente caminhos para fortalecer a construção das personagens em cena.
Essa experiência vai influenciar no seu trabalho?
Um evento desse porte sempre vai influenciar o nosso trabalho. Existe um fator de competitividade que gera um estresse e uma apreensão muito grande. Se vencemos somos exaltados, se perdemos podemos ser crucificados, assumimos esse risco e fomos felizes, por competência.
Mas, certamente, ampliou muito o meu horizonte artístico o tanto que aprendi com essa troca com todos eles, com as aulas que recebi com o conselho de artes e um entendimento melhor desse universo maravilhoso. Estou muito feliz.
Qual avaliação faz do trabalho dos artistas dos dois bumbás?
Não posso avaliar os itens do boi contrário, porque estive totalmente focado nos artistas do Caprichoso. Preferi não entrar nesse mérito de comparação para não me contaminar com algo que ultrapassa o meu trabalho.
Meu foco era ampliar as capacidades de atuação na arena dos artistas e situações cênicas do Caprichoso; e sobre eles posso dizer que fiquei totalmente encantado com a riqueza, a força das suas expressões, a força coreográfica dos grupos, a beleza das toadas, dos instrumentos, de todo esse impacto de estar ali dentro e sentir as lágrimas escorrendo no rosto de emoção de ver todo esse povo feliz e vibrante na arena e na arquibancada e participar disso.
Toda essa manifestação do festival de Parintins tem muito valor. Imaginar um evento desse porte numa ilha no coração da Amazônia com toda a beleza e qualidade que presenciei, é muito surreal.
Admiro demais esse evento que já admirava de longe, todo o seu valor artístico, cultural, folclórico, social e até econômico, por tudo que faz girar [de negócios] em Parintins e no norte do nosso país.
O que precisa melhorar no festival de Parintins do ponto de vista artístico?
Atuei em musicais e já acompanhei grandes produções musicais, como o Natal Luz de Gramado, e tenho alguma noção das necessidades técnicas para se realizar um grande evento deste porte envolvendo artistas que cantam ao vivo, com instrumentos ao vivo, com narrações do apresentador, o levantador de toadas circulando pela arena. Não é nada fácil. Esse foi o ponto que mais temia.
Em alguns pontos da arena me pareceu que poderia haver melhor equilíbrio dos limites acústicos. A corrida contra o tempo ali não permite muito ajuste, só a experiência dos excelentes profissionais que estão ali para garantir que tudo funcione em harmonia. Acho que deveria haver mais tempo para cuidar desse fator musical, que pode afetar a parte musical e ser um fator técnico e não artístico.
Perfil
Ricardo Cônti é professor, ator, diretor e preparador artístico.
No momento escreve a peça “Toalete”, que tem estreia prevista para este ano em Lisboa. Nas próximas semanas, ele lança o livro “+ de 100 monólogos para a preparação de atores: o poder da câmera” e começa a ministrar vários cursos de interpretação entre Rio e SP.
Ele poderá ser visto atuando na sétima temporada de “Impuros”, que será lançada em 2027, na Disney+.
No ano passado, ele foi o preparador de Gustavo Miotto e Maya Aniceto para protagonizar a série vertical “Cinderela e o segredo do pobre milionário”, do Globoplay.
Foto: divulgação
