Veto de Braga a candidato do PT ao Senado leva impasse para Brasília

Federação Brasil da Esperança encaminha discussão à direção nacional enquanto tenta garantir espaço para uma segunda candidatura ao Senado na chapa de Omar Aziz

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 10/07/2026 às 17:29 | Atualizado em: 10/07/2026 às 17:29

O veto imposto pelo senador Eduardo Braga (MDB) à presença de um candidato do PT na disputa pelo Senado na chapa do pré-candidato ao Governo do Amazonas Omar Aziz (PSD) levou o impasse para Brasília.

Essa é a chapa de apoio no Amazonas à reeleição do presidente Lula da Silva (PT).

A direção da federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) decidiu encaminhar a questão à cúpula nacional, que deverá arbitrar a divergência sobre a composição da chapa majoritária.

O presidente do PT no Amazonas, deputado Sinésio Campos, confirmou que a federação realizará sua convenção no dia 1º de agosto, data em que pretende homologar seus candidatos.

Segundo ele, já existe consenso no partido sobre o apoio a Aziz para o Governo do Estado e sobre as chapas proporcionais de deputados federais e estaduais.

O problema está justamente na composição da majoritária para o Senado.

De acordo com Campos, o MDB resiste à inclusão de um segundo nome ao Senado na aliança, defendendo que Braga seja o único candidato da coligação.

Diante do impasse, a direção executiva estadual da federação decidiu encaminhar a discussão para a direção nacional.

“O Senado é uma decisão nacional”, afirmou o dirigente petista.

Leia mais

Alberto Neto e Braga lideram a senador, com Marcelo Ramos no calcanhar

Marcelo Ramos entra na discussão

O PT do Amazonas reivindica o direito de indicar um candidato ao Senado. E o nome é o ex-deputado federal Marcelo Ramos.

A discussão, porém, deixou de ser apenas política e ganhou contornos jurídicos e eleitorais em razão do calendário das convenções.

Isso porque Aziz já marcou sua convenção para o dia 25 de julho, enquanto a federação Brasil da Esperança realizará a sua apenas em 1º de agosto, três dias antes do encerramento oficial do prazo das convenções partidárias.

Segundo Campos, se a convenção do PSD homologar a chapa majoritária registrando apenas Braga para o Senado, poderá haver dificuldade para incluir posteriormente um segundo candidato indicado pela federação.

“Se fechar a ata no dia 25 só com um candidato ao Senado, depois fica complicado incluir outro nome”, disse o deputado petista.

Leia mais

Marcelo Ramos decide hoje com PT futuro da candidatura ao Senado

Ata vira peça central

Nos bastidores, a preocupação concentra-se na redação da ata da convenção.

O entendimento defendido pelo PT é que o documento não inviabilize a posterior inclusão de um candidato da federação à segunda vaga ao Senado.

Caso contrário, a chapa poderá ser formalizada apenas com Braga, esvaziando a reivindicação petista.

Por isso, a direção estadual trabalha para que haja uma definição antes da realização da convenção de Aziz.

Segundo Campos, a expectativa é que a direção nacional da federação conclua essa negociação até o início do período das convenções, dia 20 deste mês.

“O objetivo nosso é fazer junto”, afirmou Campos.

Bastidor expõe disputa interna

Embora a aliança em torno da candidatura de Aziz ao governo esteja consolidada, o episódio revela que ainda há um importante nó a ser desatado na composição eleitoral.

Enquanto o MDB busca preservar a exclusividade da candidatura de Braga ao Senado, o PT tenta assegurar espaço na chapa majoritária, transformando uma discussão inicialmente política em um debate sobre os efeitos da ata das convenções e o calendário eleitoral.

Nos bastidores, a solução dependerá menos da negociação local e mais da decisão que vier da cúpula nacional da federação e das conversas entre as direções nacionais do PT e do MDB.

Foto: divulgação