Bolsonaro põe prisão domiciliar em risco após carta a Flávio

Manifestação política do ex-presidente gera reação imediata do PT no STF e aprofunda racha com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro

Bolsonaro põe prisão domiciliar em risco após carta a Flávio

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 12/07/2026 às 14:44 | Atualizado em: 12/07/2026 às 14:45

Uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em apoio à pré-candidatura de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), disparou uma crise em duas frentes distintas neste fim de semana: a jurídica e a familiar.

Lido e publicado por Flávio nas redes sociais no sábado (11), o texto gerou duras críticas de adversários políticos, motivou uma ofensiva do PT no Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter a prisão domiciliar do ex-presidente e explicitou o incômodo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Ofensiva jurídica: PT pede volta à prisão preventiva

Horas após a divulgação do manifesto — no qual Bolsonaro define Flávio como seu pré-candidato e porta-voz —, o Partido dos Trabalhores (PT) acionou o STF. Em recurso protocolado na corte, o vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), argumenta que o ex-presidente violou as regras de seu regime de detenção.

Segundo a petição, Jair Bolsonaro “descumpriu deliberadamente as condições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes ao redigir uma carta de conteúdo político-eleitoral, posteriormente lida e exibida por Flávio Bolsonaro em transmissão ao vivo nas redes sociais”.

O parlamentar petista sublinhou a gravidade do episódio:

“O que houve foi uma violação deliberada de uma ordem expressa do Supremo. Bolsonaro transformou a prisão domiciliar em instrumento de comunicação eleitoral e Flávio assumiu publicamente o papel de intermediário dessa burla.”

Fogo amigo: o recado que azedou o clima com Michelle

Além do front judicial, o movimento de Bolsonaro provocou abalos na ala familiar. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não estava na residência quando Flávio visitou o pai no sábado, pois cumpria agenda em um encontro religioso.

Desse modo, ela tomou conhecimento do texto pelas redes sociais e, segundo interlocutores, o tom do manifesto foi recebido como um recado direto a ela, mesmo sem a menção explícita de seu nome.

Na carta, o ex-presidente convoca aliados a “deixar de lado as divergências, arregaçar as mangas e trabalhar pela campanha do filho”.

Além disso, para azedar ainda mais o clima, Flávio Bolsonaro disparou durante a transmissão ao vivo que existem pessoas que dizem “vestir a camisa” do ex-presidente, mas atuam nos bastidores para boicotar sua própria candidatura à Presidência da República.

Aliadas de Michelle Bolsonaro relataram aos bastidores que a iniciativa foi vista como uma provocação desnecessária. De acordo com interlocutores da ex-primeira-dama, a carta “não ajuda nem um pouco numa reconciliação, pelo contrário, aprofunda a divisão”, confirmando que ela ficou profundamente incomodada com a ação coordenada entre o marido e o enteado.

O caso agora coloca os holofotes sobre o STF, que deve avaliar nos próximos dias se a manifestação política de Bolsonaro configura quebra das medidas cautelares da prisão domiciliar.

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Foto: reprodução/Flávio bolsonaro