Presidente do TSE propõe ‘selo de acurácia’ para pesquisas eleitorais

Ministro Kassio Nunes Marques apresenta proposta de "selo de acurácia" para premiar institutos de pesquisa, gerando forte reação contrária do setor.

Publicado em: 14/07/2026 às 17:18 | Atualizado em: 14/07/2026 às 17:18

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, apresentou a representantes de 16 institutos de pesquisa a minuta de uma proposta para implementar um “selo de acurácia eleitoral”.

A iniciativa prevê premiar e dar visibilidade às empresas cujos levantamentos apresentarem maior alinhamento com o resultado oficial das urnas, englobando pesquisas de boca de urna e as realizadas nos sete dias que antecedem o pleito.

Segundo o ministro, a proposta busca “celebrar a excelência técnica”, fomentar a transparência e incentivar investimentos em qualidade metodológica, reafirmando que o objetivo não é interferir na autonomia das empresas.

No entanto, o texto foi distribuído para abertura de sugestões até sexta-feira (17/7) em meio a um ambiente de forte divergência.

A iniciativa sofreu duras críticas de entidades do setor, especialistas e diretores de institutos, que apontam um erro conceitual grave na premissa da Justiça Eleitoral.

Principais críticas da comunidade técnica

Pesquisa não é previsão: Luciana Chong, diretora do Datafolha, classificou a proposta como “inaceitável”, ressaltando que pesquisas captam o momento estatístico e as intenções de voto atuais, e não prognósticos do futuro.

Confusão entre ciência e “bola de cristal”: A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) e o cientista político Antonio Lavareda afirmaram que a medida cria incentivos perversos. Para as entidades, institutos sem rigor metodológico poderiam copiar dados de empresas sérias na reta final apenas para tentar obter a certificação.

Interferência inédita: Lavareda destacou que transformar o Tribunal Eleitoral em árbitro de desempenho de pesquisas é uma “jabuticaba” sem paralelos no resto do mundo, visto que o próprio resultado divulgado da pesquisa altera o comportamento do eleitor.

Distorção Metodológica: Bruno Bolognesi, professor da UFPR, alertou que o selo desconsidera variáveis complexas de última hora, como abstenções, clima e feriados, e pode fazer com que institutos passem a medir apenas cenários previsíveis para evitar perdas de reputação.

Bastidores e desgaste no STF

Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), a proposta de Kassio foi recebida com estranheza por magistrados e auxiliares, que veem no projeto uma tentativa de superar o desgaste provocado pela recente decisão do ministro de suspender a divulgação de um levantamento Atlas/Bloomberg.

A censura atendeu a um pedido do PL após a pesquisa apontar queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro.

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O caso deve voltar a julgamento no plenário do TSE em agosto, enquanto o tribunal estuda novas regras gerais para a regulamentação das pesquisas eleitorais no país.

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Foto: Divulgação