Convenções começam com chapas ainda incompletas no Amazonas
Prazo aberto nesta segunda-feira (20) para oficialização das candidaturas expõe que os quatro principais grupos políticos ainda negociam nomes para vice e Senado.
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 20/07/2026 às 09:12 | Atualizado em: 20/07/2026 às 09:20
Começou nesta segunda-feira, dia 20 de julho, o período das convenções partidárias das eleições de 2026. Até o próximo dia 4 de agosto, prazo fixado pela Justiça Eleitoral, partidos e federações deverão homologar oficialmente seus candidatos e definir as chapas que disputarão o Governo do Amazonas, o Senado, a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa.
No Amazonas, porém, o início desse calendário revela um cenário curioso: os quatro principais projetos ao governo chegam à reta final das articulações sem suas escalações completamente definidas. Enquanto alguns ainda buscam nomes para vice-governador, outros mantêm indefinições para o Senado ou resistem à pressão de aliados para alterar a composição já anunciada.
David Almeida
O caso mais aberto é o do ex-prefeito de Manaus David Almeida (Avante). Apesar de já ter confirmado sua candidatura ao Governo do Estado, ele ainda não definiu quem ocupará a vaga de vice nem fechou a composição para o Senado.
O principal nome do grupo continua sendo o ex-vice-prefeito Marcos Rotta (Avante), lançado anteriormente como pré-candidato ao Senado.
Nos bastidores, entretanto, aliados admitem que Rotta também é considerado peça estratégica para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. A avaliação é que sua candidatura fortaleceria o projeto do Avante de eleger uma bancada federal, abrindo espaço, inclusive, para impulsionar a candidatura de Fernanda Ariel, filha de David Almeida.
Essa possibilidade, contudo, também produziu ruídos internos. Rotta reduziu as aparições públicas ao lado de David, alimentando dúvidas sobre qual será seu papel na campanha.
Outro nome lembrado no entorno do ex-prefeito é o da médica Shadia Fraxe, ex-secretária municipal de Saúde. Ela já integrou a lista de opções apresentadas por David Almeida quando indicou nomes para vice de Wilson Lima, em 2022. Além disso, o Avante dispõe de uma ampla base política na Câmara Municipal de Manaus, de onde também pode surgir o futuro candidato a vice-governador.
Roberto Cidade
Entre os candidatos, quem mais se aproximou de mudar sua composição foi o governador Roberto Cidade (União Brasil), candidato à reeleição.
Ele assumiu o Governo do Estado maio, após ser eleito pela Assembleia Legislativa em uma composição que uniu sua liderança política à experiência do ex-prefeito de Manaus Serafim Corrêa (PSB), escolhido para a vice-governadoria. Além do peso político, Serafim levou ao governo experiência administrativa e conhecimento das contas públicas em um momento de retração da arrecadação estadual.
Mesmo assim, Cidade chegou a trabalhar nos bastidores para substituir o vice pelo deputado federal Capitão Alberto Neto (PL), numa tentativa de ampliar a aliança com a direita. A articulação, entretanto, perdeu força quando o PL decidiu encerrar as especulações e manter candidatura própria ao Governo do Estado.
Maria do Campo
A definição do PL ocorreu na última sexta-feira (17), quando a professora Maria do Carmo anunciou oficialmente sua chapa majoritária. A candidata confirmou o deputado federal Capitão Alberto Neto como candidato ao Senado, encerrando as conversas sobre uma possível composição com o União Brasil.
Ainda assim, a chapa permanece incompleta. O partido não anunciou o nome para vice-governador e, até o momento, sequer indicou publicamente quem poderá ocupar a vaga. A tendência é que o escolhido saia dos próprios quadros do PL.
Omar Aziz
Entre os principais concorrentes, apenas o senador Omar Aziz (PSD) chega ao início das convenções praticamente com sua chapa definida.
Nas últimas semanas, aliados defenderam que o senador reconsiderasse a escolha da deputada estadual Alessandra Campêlo (PSD) para a vice-governadoria. Os argumentos passaram tanto pela estratégia eleitoral quanto pela proximidade política que Alessandra manteve com o grupo do ex-governador Wilson Lima.
Apesar da pressão, Omar decidiu encerrar as especulações. Segundo relatos de aliados, ele comunicou neste fim de semana que manterá Alessandra Campêlo na chapa, sinalizando estabilidade em um momento em que os adversários ainda negociam suas últimas peças.
O senador de Omar Aziz será Eduardo Braga (MDB), que fechou o espaço do PT na chapa.
Com as convenções oficialmente abertas, a expectativa agora é que os próximos dias sejam marcados menos por lançamentos de candidaturas e mais pela conclusão das negociações que definirão vices, candidatos ao Senado e alianças partidárias. Até o dia 4 de agosto, prazo final estabelecido pela Justiça Eleitoral, as chapas deverão entrar oficialmente em campo para a disputa de outubro.
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