Flávio Bolsonaro adota slogan da esquerda em entrevista a podcast
Ao tentar usar um lema de resiliência no podcast Flow, o senador vestiu sem perceber um clássico bordão da esquerda e de Marielle Franco.
Publicado em: 20/07/2026 às 15:33 | Atualizado em: 20/07/2026 às 15:33
Durante sua participação no podcast Flow, o senador Flávio Bolsonaro vestiu uma camiseta verde com dizeres impressos em amarelo e branco que diziam: “Tentaram nos enterrar, esqueceram que éramos semente”. O uso da estampa, no entanto, expôs um desconhecimento sobre a origem histórica e política da frase, amplamente associada a pautas progressistas, movimentos negros e de direitos humanos.
A trajetória do slogan hoje estampado em artigos de vestuário e cartazes de protesto remonta a diferentes fases da história recente:
A origem literária (1978)
A expressão deriva de um poema escrito pelo poeta grego Dinos Christianopoulos, que dizia originalmente: “O que você não fez para me enterrar / mas esqueceu que eu era uma semente”.
Adopção pelo Zapatismo (Anos 1990)
Duas décadas depois, a frase ganhou tração política no México ao ser adotada como palavra de ordem pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), movimento guerrilheiro e indígena de orientação anticapitalista.
Símbolo de Resistência no Brasil
No cenário nacional, a citação foi incorporada por movimentos sociais, coletivos LGBTQIA+ e pelo movimento negro. A partir de 2018, a frase consolidou-se como o principal símbolo de memória e justiça em relação ao assassinato da vereadora Marielle Franco.
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Dessa forma, o episódio evidenciou uma falha na curadoria de imagem da campanha do parlamentar, que acabou utilizando um símbolo tradicionalmente oposto à sua própria matriz ideológica.
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Foto: Reprodução
