Casos no Amazonas acendem alerta sobre abuso em escolas esportivas

Levantamento com seis professores de jiu-jítsu presos em menos de dois anos reacende discussão sobre prevenção da violência sexual em academias, clubes e projetos esportivos.

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 22/07/2026 às 10:45 | Atualizado em: 22/07/2026 às 10:48

Levantamento divulgado pelo G1 mostrando que seis professores de jiu-jítsu foram presos no Amazonas por suspeita de crimes sexuais em menos de dois anos vai além de uma estatística policial.

A sucessão de casos reacende um debate que alcança todas as modalidades esportivas: como garantir que academias, clubes e escolas sejam ambientes seguros para crianças, adolescentes e demais alunos.

O problema não está restrito ao jiu-jítsu. Nos últimos anos, denúncias semelhantes vieram à tona em diferentes estados brasileiros envolvendo professores e treinadores de modalidades como natação, ginástica, futebol e outras atividades esportivas.

O ponto em comum é a relação de confiança construída entre instrutores, alunos e famílias, que, quando violada, potencializa os danos às vítimas.

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Muito além da estatística

Os seis casos registrados no Amazonas chamam atenção porque revelam uma sequência incomum de prisões em um curto espaço de tempo.

Mais do que apontar responsabilidades individuais, eles acendem um alerta para a necessidade de prevenção.

Especialistas em proteção à infância e no enfrentamento da violência sexual destacam que esse tipo de crime costuma ser marcado pela dificuldade de denúncia.

Medo, vergonha, dependência emocional, receio de não ser acreditado e até o temor de prejudicar a carreira esportiva fazem com que muitas vítimas permaneçam em silêncio durante anos.

Não por acaso, é comum que novas denúncias surjam somente depois que um caso ganha repercussão pública, quando outras vítimas se sentem encorajadas a procurar as autoridades.

Mais do que discutir casos individuais, a sucessão de prisões levanta uma reflexão sobre um fenômeno amplamente reconhecido pelas autoridades: a subnotificação dos crimes sexuais.

Muitas vítimas levam anos para romper o silêncio, o que torna a prevenção e a criação de ambientes seguros tão importantes quanto a punição dos responsáveis.

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O desafio das instituições esportivas

Os episódios também levantam uma discussão sobre a responsabilidade de academias, clubes, federações e projetos sociais.

Mais do que selecionar profissionais qualificados tecnicamente, essas instituições são chamadas a adotar mecanismos capazes de reduzir riscos e oferecer segurança às famílias.

Entre as medidas defendidas por especialistas estão códigos de conduta, canais internos de denúncia, orientação permanente a professores e funcionários, protocolos para atendimento de crianças e adolescentes e acompanhamento rigoroso diante de qualquer suspeita de abuso.

Também ganham importância medidas simples, como incentivar a participação dos pais na rotina esportiva dos filhos, estabelecer regras claras para o contato entre treinadores e alunos e criar canais independentes para recebimento de denúncias.

Embora a responsabilização criminal caiba à Justiça, a prevenção depende da atuação conjunta das instituições esportivas, dos órgãos públicos e das próprias famílias.

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Esporte deve ser sinônimo de proteção

O esporte exerce papel fundamental na formação de crianças e adolescentes, promovendo disciplina, saúde, inclusão social e desenvolvimento humano.

Justamente por isso, cada denúncia envolvendo profissionais que ocupam posição de autoridade representa um alerta para toda a sociedade.

A sucessão de casos registrada no Amazonas não deve servir para estigmatizar qualquer modalidade esportiva, mas para estimular uma reflexão mais ampla: ambientes dedicados ao esporte precisam ser também espaços de proteção, confiança e respeito.

Fortalecer mecanismos de prevenção, incentivar denúncias e acolher vítimas são medidas essenciais para preservar aquilo que o esporte tem de mais importante: sua capacidade de transformar vidas de forma positiva.

Leia o levantamento completo do G1 sobre os seis casos registrados no Amazonas e o andamento das investigações.

Foto: imagem gerada por IA