Treinador de campeões, Melqui Galvão é preso por suspeita de crimes sexuais contra menores
Além da atuação no esporte, Melqui Galvão é investigador da Polícia Civil do Amazonas e segue com vínculo ativo.
Adríssia Pinheiro e Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 28/04/2026 às 12:03 | Atualizado em: 28/04/2026 às 19:35
A prisão do treinador de jiu-jitsu Melqui Galvão, de 47 anos, nesta terça-feira (28), expôs um dos nomes mais influentes do esporte brasileiro a uma investigação por crimes sexuais envolvendo menores.
A ordem de prisão temporária, válida por 30 dias, foi expedida pela Justiça de São Paulo no último dia 23 de abril. O caso tramita sob segredo de Justiça e inclui medidas como busca e apreensão e quebra de sigilo.

As apurações conduzidas pela Polícia Civil paulista indicam que o caso não é isolado. Pelo menos três vítimas já foram identificadas, entre elas uma adolescente de 17 anos, que denunciou episódios de abuso durante uma viagem para competição fora do país.
Atualmente nos Estados Unidos, a jovem prestou depoimento com apoio da família. A partir desse relato, os investigadores localizaram outras duas possíveis vítimas em diferentes estados. Em um dos casos, a denúncia aponta que a vítima tinha 12 anos na época dos fatos.
As suspeitas incluem crimes como estupro de vulnerável, importunação sexual, ameaça e invasão de dispositivo eletrônico.
Segundo a polícia, os episódios teriam ocorrido em um ambiente marcado por confiança e proximidade entre treinador e alunos. Também há indícios de tentativas de constrangimento ou silenciamento das vítimas.
Melqui havia retornado ao Amazonas menos de 24 horas antes da operação. Após articulação entre as polícias, ele se apresentou e teve a prisão cumprida em Manaus.
Além disso, agentes cumpriram mandados de busca em endereços ligados a ele no interior de São Paulo.
Entre os elementos analisados pelos investigadores está um áudio atribuído ao treinador, apresentado por denunciantes durante o andamento do caso.
No material, ele tenta justificar uma das situações relatadas:
Vínculo com a Polícia Civil
Paralelamente à atuação no esporte, Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira integra o quadro da Polícia Civil do Amazonas como investigador.
Mesmo com a prisão, ele permanece com vínculo ativo. Registros do Portal da Transparência mostram que o nome segue na folha de pagamento do governo estadual, com remuneração superior a R$ 29 mil.
Por se tratar de servidor concursado, qualquer afastamento definitivo depende de trâmite administrativo ou decisão judicial.
A tendência é que a Corregedoria abra um Processo Administrativo Disciplinar para apurar a conduta. Até lá, o vínculo institucional pode ser mantido, ainda que ele não exerça as funções.
Referência no jiu-jitsu
No tatame, Melqui construiu uma trajetória marcada pela formação de atletas de alto rendimento e pela projeção de talentos.
À frente de uma academia consolidada em Manaus, na zona norte da capital, ele ajudou a desenvolver competidores que ganharam espaço em competições nacionais e internacionais, como Diogo Reis, Fabricio Andrey e Brenda Larissa.
A visibilidade aumentou ainda mais por conta do filho, Mica Galvão, um dos principais nomes da nova geração do jiu-jitsu mundial.
Após a prisão, o atleta se manifestou nas redes sociais, afirmou viver um momento difícil e defendeu que o caso seja apurado com rigor.
Repercussão
A prisão provocou reação imediata na comunidade do jiu-jitsu. Atletas e patrocinadores passaram a ser pressionados a se posicionar sobre o caso. O episódio também reacendeu o debate sobre proteção de crianças e adolescentes em academias.
Até o momento, não há condenação.
O caso segue em apuração e deve respeitar o direito à ampla defesa e ao contraditório.
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Foto: reprodução/redes sociais
