O novo Amom Mandel, um político entre o digital e o analógico

Deputado diz que os anos de mandato o ensinaram a sair das redes sociais para dialogar presencialmente com eleitores menos conectados à internet

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 27/07/2026 às 15:14 | Atualizado em: 27/07/2026 às 15:14

Durante anos, Amom Mandel foi identificado como o político que nasceu nas redes sociais. A internet foi sua principal praça pública, onde construiu uma carreira meteórica, primeiro como vereador de Manaus e, depois, como deputado federal.

Agora, porém, o parlamentar afirma viver uma nova fase. Sem abandonar o ambiente digital, diz ter descoberto a importância do corpo a corpo e define a própria transformação em uma frase: “Hoje sou um político misto, entre o digital e o analógico.”

A declaração foi dada no último sábado (25 de julho), durante a convenção que oficializou a candidatura do senador Omar Aziz (PSD) ao Governo do Amazonas.

Ao responder sobre as mudanças na forma de fazer política, Mandel reconheceu que a experiência do mandato ampliou sua visão de representação.

“Agora eu sou digital e aprendi um pouquinho do analógico. Eu sou um nativo digital, mas esses anos de política também me ensinaram como conversar com aquelas pessoas que são mais excluídas digitalmente”, afirmou.

A resposta revela uma mudança de postura de um político cuja trajetória sempre esteve fortemente ligada às plataformas digitais. Foi nelas que Mandel construiu sua identidade pública, dialogou diretamente com os eleitores e consolidou uma imagem de renovação política.

Hoje, no entanto, ele admite que as redes sociais, por si só, não são suficientes para representar um estado com as características do Amazonas.

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O desafio de representar todo o Amazonas

Segundo Mandel, a percepção de que parte da população permanece distante do universo digital o levou a ampliar sua atuação presencial.

O deputado afirma que passou a visitar com mais frequência comunidades e municípios do interior, buscando alcançar pessoas que dificilmente acompanham seu trabalho pelas redes sociais.

“Eu continuei representando aquelas pessoas que alcanço através das redes sociais, mas também visito as comunidades e busco representar as outras pessoas também”, disse.

A mudança acompanha uma realidade própria do Amazonas. Em um estado marcado por grandes distâncias e localidades onde o acesso à internet ainda é limitado, o contato presencial continua sendo um instrumento importante para quem pretende ampliar sua representação política.

Mais articulação em Brasília

Na entrevista, Mandel também comentou sua filiação ao Republicanos. Segundo ele, o partido ampliou sua capacidade de articulação política em Brasília.

O deputado destacou a relação construída com o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Na avaliação dele, essa proximidade fortalece sua atuação parlamentar, principalmente no acesso às comissões da Câmara.

“Esse partido foi um partido onde eu consegui ter uma articulação em nível nacional diretamente com o presidente Marcos Pereira e também com o presidente Hugo Motta”, afirmou.

Para Mandel, esse espaço político tende a aumentar a qualidade do mandato e sua capacidade de defender pautas de interesse do Amazonas.

Críticas às emendas Pix

Outro tema abordado na entrevista foi o modelo das chamadas emendas Pix, modalidade de transferência direta de recursos para estados e municípios que vem sendo alvo de questionamentos sobre transparência.

Mandel voltou a criticar esse mecanismo e afirmou que não utiliza esse tipo de emenda justamente por entender que ele reduz os instrumentos de controle sobre a aplicação do dinheiro público.

“Eu provavelmente sou o único deputado aqui no Amazonas que não utiliza as emendas Pix”.

O parlamentar também afirmou ter denunciado ao Tribunal de Contas da União a utilização de recursos provenientes de suas próprias emendas parlamentares destinados ao Governo do Amazonas.

Segundo ele, informações levantadas por sua equipe apontaram possíveis problemas na aplicação de verbas enviadas à Secretaria de Estado de Saúde.

“Eu mesmo, mesmo tendo sido a pessoa que articulou a transferência dos recursos, fui ao Tribunal de Contas da União e denunciei o uso desses recursos por parte do Governo do Amazonas”, afirmou.

Ao relatar o episódio, ele defendeu que a responsabilidade de um parlamentar não termina na destinação da emenda, mas inclui o acompanhamento e a fiscalização da aplicação dos recursos públicos.

A posição reforça uma das marcas que o deputado procura consolidar desde o início do mandato: a de um parlamentar que alia fiscalização, transparência e, agora, uma atuação que busca combinar a força das redes sociais com a presença física nas comunidades, numa transição que ele próprio resume como a de um “político misto”, entre o digital e o analógico.

Foto: BNC Amazonas