Sinais do vírus somem em portadores de aids e animam pesquisadores da cura
Dois novos casos de remissão do HIV após transplantes reforçam pesquisas.
Publicado em: 28/07/2026 às 11:00 | Atualizado em: 28/07/2026 às 11:16
Dois novos casos de remissão do HIV reacenderam as expectativas da comunidade científica sobre a busca por uma cura para a doença. O anúncio ocorreu nesta segunda-feira (27), durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro.
Os pacientes permanecem sem carga viral detectável há 14 e 12 meses, mesmo após interromperem o tratamento com antirretrovirais. Até o momento, os exames não identificaram sinais de que o vírus tenha voltado a se multiplicar.
Os dois pacientes receberam transplantes de células-tronco para tratar doenças hematológicas graves, e não o HIV. Além disso, os doadores possuíam uma rara mutação genética, chamada CCR5-delta32, que impede a entrada das formas mais comuns do vírus nas células do sistema imunológico.
Essa característica genética explica os resultados obtidos. Sem conseguir invadir as células, o HIV perde a capacidade de se multiplicar no organismo. Com isso, os médicos suspenderam os medicamentos e continuaram acompanhando os pacientes, que seguem sem carga viral detectável.
Os dois novos registros elevaram para 13 o número de pessoas que permaneceram sem medicamentos e sem sinais detectáveis do HIV após esse tipo de transplante. Ainda assim, os especialistas reforçam que o procedimento não representa uma cura disponível para quem vive com o vírus, pois envolve riscos elevados e só costuma ocorrer quando o paciente precisa tratar doenças graves, como alguns tipos de leucemia.
Novas estratégias
Durante a conferência, o infectologista Ricardo Diaz, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirmou que alguns desses pacientes apresentam fortes evidências de eliminação completa do vírus. No entanto, ele ressaltou que os resultados ainda não permitem ampliar essa estratégia para a população em geral.
Além das pesquisas sobre remissão, o Ministério da Saúde informou que encaminhou à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) o pedido para avaliar a inclusão do cabotegravir na rede pública.
O medicamento funciona como uma profilaxia pré-exposição (PrEP) de longa duração. Diferentemente dos comprimidos diários, a aplicação ocorre a cada dois meses para reduzir o risco de infecção pelo HIV. Se a Conitec recomendar a incorporação, caberá ao Ministério da Saúde decidir sobre a oferta no Sistema Único de Saúde (SUS).
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Foto: Ministério da Saúde/divulgação
