Por que será que Nunes Marques segura CPI do Master há quatro meses?

Ministro do STF mantém sem decisão ação que cobra a instalação da comissão para investigar o banco Master no Senado.

Pedido de vista adia de novo possível cassação de deputados bolsonaristas

Publicado em: 28/07/2026 às 09:00 | Atualizado em: 28/07/2026 às 09:10

O ministro Kassio Nunes Marques mantém parado, há mais de quatro meses, um pedido para obrigar o Senado a instalar a CPI do banco Master. A ação foi apresentada por um grupo de senadores em março e, além disso, reuniu 53 assinaturas, número superior ao mínimo de 27 exigido pela Constituição para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito.

Entretanto, apesar da jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal (STF), que garante o direito da minoria parlamentar de instalar CPIs quando os requisitos legais estão cumpridos, o relator ainda não despachou o processo. O STF aplicou esse entendimento, aliás, na criação da CPI da Covid, em 2021.

Nesse contexto, a demora beneficia, segundo os autores da ação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que resiste à instalação da comissão. A CPI pretende investigar operações envolvendo o Banco Master, instituição que, por sua vez, aparece ligada, por diferentes relações, a integrantes do STF, incluindo o próprio Nunes Marques.

Além disso, em março, o Estadão revelou que o banco Master repassou R$ 6,6 milhões à empresa Consult, que realizou pagamentos ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou ainda 11 transferências ao advogado, somando R$ 281,6 mil.

Os senadores também pediram que o processo fosse redistribuído ao ministro André Mendonça, relator de investigações relacionadas ao Banco Master no STF. O pedido, porém, também permanece sem análise.

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil