Sons pela liberdade

Publicado em: 16/02/2011 às 00:00 | Atualizado em: 16/02/2011 às 00:00

 

Ivânia Vieira*

Doze países integram, nesse momento, a frente de protestos no mundo árabe e em territórios africanos. É a batalha por mais democracia e melhores condições de vida no Planeta Terra. Uma bandeira do passado ora erguida por multidões em várias regiões do mundo que inscrevem, na contemporaneidade, a nova etapa histórica das lutas pela liberdade e para assegurar os direitos da humanidade.

As manifestações desafiam os ditadores e as políticas de controle do mundo desenvolvidas a ferro e fogo por governos como os dos Estados Unidos e da Inglaterra.

Os protestos, agora na versão longo alcance, chegam aos lugares mais distantes e promovem outras inquietações. Já não se discute o preço da transição no Egito, na Tunísia… Ele é alto demais, e se faz entre o sangue, a morte, a angústia, mas acima de tudo carrega a força da esperança realizadora de mudanças.

Os ditadores hoje encurralados, alguns forçados a largar o poder, foram e são muito bem recepcionados pelas potências ocidentais. O marco desse movimento é a ruptura de uma forma de governar o mundo, maquilada de moderna e democrática, porém geradora e mantenedora da cultura segregacionista, escravagista, desagregadora e antidemocrática. É ela que está sendo contestada numa das maiores mobilizações mundiais da primeira década desse século 21.

Da praça central do Cairo, onde um outro futuro está sendo rascunhado, passando pelas manifestações das mulheres italianas diante da série de escândalos sexuais do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, aos haitianos que tecem fios em nome de vida digna em Tabatinga, ou nos gritos dos sem-água de Manaus,  há um brado extrapolando a tela – grande e pequena – pulando para além das letras, compreendido pelo gesto da mão, pelo olhar flagrando outro olhar, o abraço capaz de alcançar o coração, aquecer a alma atordoada e fazer derramar lágrimas poderosas que, em forma de rio, nos levarão a cumprir o roteiro da viagem à liberdade, experimentada, conquistada, até cair o último muro.

*Jornalista, professora do Curso de Comunicação da UFam.

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