Rio de Janeiro e a idade pra chorar
Publicado em: 14/01/2011 às 00:00 | Atualizado em: 14/01/2011 às 00:00
Massilon de Medeiros Cursino*
Assistindo as imagens da catástrofe do Rio de Janeiro, o coração aperta de ver o sofrimento dos irmãos cariocas que perderam quase todo seu patrimônio, inclusive as centenas de vidas que foram ceifadas em razão da tragédia produzida pela fúria da natureza, justamente a mesma que privilegiou a região com uma paisagem das mais bonitas do país.
Ao assistir as fortes cenas, uma reação involuntária quase que faz descer sobre a face as lágrimas salubres, abruptamente interrompidas pela mudança de canal que exibia concomitantemente uma outra imagem do Rio de Janeiro, onde mais de 20 mil pessoas estavam no campo da Gávea comemorando a contratação de Ronaldinho Gaúcho pelo Clube de Regatas Flamengo.
O contraste imediato da capital carioca foi proporcional ao contraste emocional que senti, mesmo sendo botafoguense de coração. Que bom que mudei de canal, pois assim evitei expor uma debilidade emocional, afinal como diz o jargão: “homem que é homem não chora”. E cá entre nós, entre assistir o choro da dor dos cariocas e o choro da emoção dos flamenguistas, a opção melhor, com certeza é a última.
Mas chorar de alegria também expõe debilidade emocional, isso se aprende desde o colo, quando um som em forma de ossovio suave nos pede para parar de prantear. Na infância, chorar pode até dar origem a um apelido. Na juventude chorar é leseira, na senilidade é forte emotividade, enfim qual a idade e o momento palatável para se aceitar o choro de um ser humano dotado de razão e paixões.
Com o ocontrole na mão, não titubeei em tomar uma decisão implacável, o melhor foi desligar a televisão e rezar pelas vítimas da catástrofe do Rio de Janeiro, uma cidade que há vários janeiros de São Sebastião vem se transformando em um rio de lama, de desabamentos e um rio de lágrimas. Lágrimas de dor e, ao mesmo tempo, de exultação.
*Economista, Bacharel em Direito.
