Onires de Alcântara e o Rio Bonito

Publicado em: 13/04/2011 às 00:00 | Atualizado em: 13/04/2011 às 00:00


Massilon de Medeiros Cursino*


Desde muito jovem, Onires de Alcântara é encantado pela arte de escrever. Ainda na década de 80, Onires, adolescente, vendia seus cordéis pelas escolas públicas estaduais da cidade.
Sobrinho do saudoso Saracura e filho do cordial Foca, Onires levou em frente o sonho do jornalismo. Não cursou nenhuma graduação na área de Comunicação, mas aprendeu como ninguém a produzir os jornais do sistema Alvorada.
Sempre com seu radinho em mãos e o fone de ouvido, Onires é do tipo que fala rápido e ouve rápido, da mesma forma que se gaba que era rápido como jogador de futebol, defendendo o Corinthias do Aninga, comunidade onde conheceu sua esposa.
Certo dia, Onires convidou seu colega de trabalho Correa Neto para visitarem um compadre que trabalha em um órgão público estadual. Sequer entraram na instituição, o compadre, que estava de saída, encontra-os e os saúda de forma bastante cortês: – Compadre Onires, cadê a minha afilhada? Onires tira o fone do ouvido e responde que está tudo bem com sua netinha, a quem devota um amor paterno.
Breve em falar sobre a afilhada ao compadre, Onires faz um convite irrecusável para um fim de tarde de sexta feira: – Compadre, viemos aqui lhe convidar pra tomar “uma bem gelada” no Bar “Comunas”.
De pronto aceito o convite, os três se dirigiram à praça onde o crepúsculo se faz mais belo à medida que o sol beija o Rio Amazonas em frente ao Xibuí e ao Paraná do Espírito Santo de Cima.
O Compadre, gentilmente, propõe patrocinar três cervejas, recebendo um “Beleza!” de Onires, que assim responde toda vez que acha agradável uma proposição. Ele diz que quando responde “Beleza”, sempre lembra de um ex-colega de trabalho a quem nutre uma grande amizade.
Na metade da terceira e última cerveja, Onires mira ao pôr-do-sol e ao rio Amazonas e diz: – Meu compadre, nós aqui bebendo em frente ao maior rio do mundo e diante desse por do sol, dá vontade de tomar mais três.
O compadre concorda e pede mais três cervejas por sua conta, desta vez acompanhadas por uma porção de bolinho de piracuí.
Chico da Silva ao fundo cantando “Que tempo bom, que não volta nunca mais..”, palitos já espetando os últimos bolinhos de piracuí e as três cervejas acabando, Onires começa então a declamar: – Oh rio bonito…
O compadre tira a chave do bolso da frente de sua calça, puxa a carteira do bolso de trás e gesticula como quem vai pedir a conta e se despedir, quando Onires novamente declama: – Oh rio bonito!…

O compadre, manjando que o momento de contemplação ao rio coincidia sempre com o esvaziamento da terceira garrafa, estende a mão a Onires e diz: – Com licença meu compadre, esse rio realmente é bonito, o problema é que minha carteira está ficando seca. Vamos embora e termine sua declamação noutra ocasião. Essa não será a última vez esse rio vai estar bonito!

*Economista, Bacharel em Direito.

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