Sem medo da crise

Publicado em: 06/04/2011 às 00:00 | Atualizado em: 06/04/2011 às 00:00

Ivânia Vieira*

Em meio às previsões catastróficas feitas em diferentes regiões do mundo, o jornalismo resiste e tenta traçar o seu novo caminho. Está em crise. É um fato. Mas não a crise traduzida em morte generalizada e sim no embate para criar outras possibilidades da existência ativa.

Nesse processo, no campo empresarial, alguns jornais desapareceram; outros migraram para a versão eletrônica; e alguns experimentam propostas compartilhadas envolvendo setores até então alheios a esse tipo de negócio.

Nos Estados Unidos, algumas fundações entraram em ação para trabalhar um jornalismo numa outra perspectiva editorial. Aos profissionais, interessa o êxito das empresas e que esse se realize na busca permanente da qualidade do jornalismo realizado.

Nosso negócio tem como regra número 1 o desempenho técnico e o compromisso ético e humanístico, como prega Luiz Costa Pereira Junior. Perceber as trilhas abertas na contemporaneidade é uma das portas abertas para oxigenar o jornalismo ora asfixiado.

Outro dia, ao conversar com alguns jornalistas e estudantes de jornalismo, o jornalista e hoje um dos mais premiados escritores brasileiros Laurentino Gomes (autor de “1808” e “1822”), disse: “(…) o jornalismo não está condenado à morte. Ao contrário, os meios passam, mas o (bom) conteúdo permanece. Jornalismo honesto, bem feito, com reportagem e informações bem apuradas, continuará a ser relevante. (…). É na qualidade do conteúdo que temos de nos concentrar para garantir o futuro dessa profissão”.

O jornalismo está sendo reposicionado. Ampliam-se as exigências e o seu papel nas sociedades do Ocidente ao Oriente. Nossa bússola se faz no compromisso de limpar as lentes e clarear os caminhos, às vezes são trilhas a serem abertas até surgir a estrada que se faz na luta permanente pela ética e a liberdade em respeito aos povos e por dever de promover a voz de uma multidão ainda sem direito a ela e de ser a outra parte do coro para que seja ouvida e provoque mudança.

*Jornalista e professora do Curso de Comunicação Social da Ufam.

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