A concretude da dignidade

Em artigo, o sociólogo Lúcio Carril reflete sobre a dignidade como construção cultural que orienta valores, impõe limites às ações humanas e sustenta a capacidade de amar, transformar e se indignar diante da injustiça.

A concretude da dignidade

Por Lúcio Carril*

Publicado em: 19/02/2026 às 09:14 | Atualizado em: 19/02/2026 às 09:14

A dignidade é concreta. Ela envolveu o espírito a partir da cultura. Seu simbolismo é real.

Pode ter nascido de um exemplo do pai, da mãe, do irmão. Também pode ter sua origem no amigo, no indivíduo admirado, na mulher amada.

Ela não é natural, nem puramente moral; surgiu das relações humanas e está imbricada em todos valores construídos.

É maior do que todos os outros, pois não existe amor, honra, lealdade, raiva, vingança, sem dignidade. Ela impõe limites nas ações e resguarda a autoestima.

Não ter dignidade também é cultural. Toda manifestação infame é também indigna; todo sentimento pequeno se fez da indignidade.

Ser digno é ter na alma o perfume suave de uma flor de cerejeira; é ser terno como um soneto de amor de Neruda; é ser forte como um aroma de jasmim.

A dignidade está em cada gesto, em cada olhar do mundo e tem a força transformadora. É preciso ser digno para mudar.

Os indignos costumam morrer rastejando na lama, sem nunca achar a água límpida da dignidade.

É preciso ser digno para construir o amor e a felicidade. É preciso ser digno para amar o outro e o outro também tem que buscar a dignidade para amar o outro.

Somente o ser digno se indigna com a miséria e com a injustiça. Os indignos a constroem.

É com dignidade que sigo minha vida.

*O autor é sociólogo.

Foto: reprodução