Tem Bububu no Bobobó
Flávio Lauria analisa como escândalos políticos e esportivos alimentam a desconfiança da sociedade nas instituições brasileiras.
Por Flávio Lauria*
Publicado em: 11/07/2026 às 08:00 | Atualizado em: 10/07/2026 às 20:17
O que ocorreu no nosso Supremo Tribunal Federal, que encobre os erros de seus ministros, concede liminares absurdas, e quando do episódio da aprovação da taxação dos inativos, fechou aquela maldita Reforma da Previdência?
Os velhinhos aposentados do Brasil inteiro estavam convictos de que teriam a proteção mais do que justíssima do STF – último patamar de esperança de todo cidadão, principalmente o marginalizado. No entanto, coitados, qual nada. Somente comemoraram até quando o placar marcava quatro votos contra a taxação e apenas um a favor. Um ministro pediu vistas do processo e o levou debaixo do braço.
Patere legem quam facisti (Respeite a lei que fizeste). Esquisito, não? E logo se trancaram aqueles onze (agora dez) vestais na mais precisa eutanásia da coragem e personalidade reinantes em suas vidas, gerando para todo povo brasileiro um arrepiante descrédito naquele Poder e, como sequela, um desabonador silêncio para a Nação.
O descrédito das instituições
Nunca o silêncio dos inocentes, pelo amor de Deus, mas aquele mistificado como resguardo comum a detentores de caras lisas. É bom nem imaginar que o tal mensalão da compra de votos e favores criado nas tapadeiras do PT e nas antessalas do Planalto possa ter atingido as barbas daquela imponente e respeitável instituição. Ou chegaremos ao fundo do poço. E agora?
Tem bububu no bobobó também em tudo que é órgão oficial, empresas estatais – economia mista ou fundação, enfim, atingindo todas as veias sociais, populares, sim sinhô. Estoura a crise de safadagem no futebol, especificamente no setor de arbitragem.
Quadrilhas de apostadores, eletrônicos ou virtuais, cibernéticos ou robotizados, pouco importa. Juízes comprados para mudar resultados de jogos, fazendo a torcida de boba, jogadores de corpos moles, técnicos burros, e pior, jogando toda a classe de árbitros à galhofa pública e, de agora em diante, mesmo com o VAR, não acredito na honestidade.
A crise da arbitragem
Embora, é bom lembrar, que essa tal compra de juízes de futebol vem de muito tempo atrás. Dizem os mais velhos – experientes dirigentes de clubes – que essa prática é antiga e os autores eram os próprios dirigentes e até presidentes de federações em ações às vezes comuns aos seus interesses. Por que os clubes do Norte e Nordeste nunca tiveram vez frente aos congêneres do Sul e Sudeste nas decisões nacionais?
A verdade é que a gatunagem é incrível no nosso solo pátrio e a corte brasileira está encurralada. A propósito uma das maiores garfadas no futebol, aconteceu na Copa deste ano, a Croácia foi injustamente tirada da Copa do Mundo, por um erro(ou não) do juíz, que deu pênalti a favor de Portugal.
E, quase esqueço, a vergonhosa arbitragem de Vasco e Flamengo, no Campeonato Carioca de 2014, quando o Vasco foi roubado descaradamente pelo juiz Márcio de Lima Henrique.
E agora vem Trump, mandando retirar um cartão vermelho de um jogador da seleção dos Estados Unidos, e a subserviente FIFA obedece.
O bububu no bobobó
E aqui para nós, o Egito foi vergonhosamente retirado da Copa do Mundo. Para não falar, e já falei, da decisão contra a Argentina. Sem desmerecer a genialidade de Messi, a seleção argentina não merecia ganhar se não fosse a atuação do árbitro.
Comecei o artigo falando sobre o Supremo e encerro falando em gatunagem, assalto, usurpação ou o nome que quiserem dar a esse bububu no bobobó.
O autor é doutor em Administração Pública.*
Foto: Divulgação/imagem gerada por IA.
