Por Hudson Braga*

 

A cada novo governo, a esperança se renova. Os compromissos assumidos em campanha alimentam o desejo por dias melhores, que passa pelo enfrentamento de problemas sociais, muitos crônicos, pelo fortalecimento e resgate dos serviços públicos. É a cidadania falando mais alto e exigindo respeito.

No país, o problema agudo nas finanças públicas, com gastos descontrolados com pessoal, que atingem a União e estados de Norte a Sul; a má aplicação do erário, com resultados aquém dos demandados; e a corrupção enfraquecem, ou mesmo anulam, qualquer política governamental.

Com a economia cambaleante, o desemprego é um fantasma que assombra à luz do dia. Para melhorar o ambiente de negócios, são urgentes a simplificação e a redução da carga tributária; incentivar o empreendedor, que investe na produção e na geração de emprego; a logística exige investimentos, como em hidrovias na Amazônia; as desonerações fiscais, banalizadas na última década, devem ser revistas; e os incentivos fiscais devem ser voltados ao desenvolvimento regional, como preconiza a Constituição – é o caso da Zona Franca de Manaus.

Por outro lado, também é necessário cobrar com rigor de quem deve, como ruralistas, grandes corporações, dívidas que superam facilmente meio bilhão de reais. Essa é uma fonte de receita federal “adormecida”, que costuma ser empurrada para baixo do tapete dos conchavos.

Fazer justiça fiscal é igualmente imprescindível.  A lógica do Imposto de Renda deve ser reformulada, cobrando mais de quem pode mais, livrando o assalariado do pesado IR, que rouba o sustento do dia a dia como se os salários da grande massa fossem fonte de riqueza.

O país deve fortalecer sua política de desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação, capaz de agregar valor aos insumos, a matérias-primas e assim colocar o Brasil na vanguarda do seleto grupo de nações que exporta conhecimento. O que até aqui foi feito é valoroso, mas nanico diante do potencial de um país-continente.

Na segurança pública, o tráfico de drogas, o crime organizado e a bandidagem afrontam como nunca as famílias, em todos os extratos sociais.

No Amazonas, os macros problemas nacionais também se refletem, em um microcosmo que agoniza em muitas áreas, como saúde e segurança pública.

Na maioria absoluta das áreas sociais, os problemas não decorrem de falta de recursos. O estado peca por ineficiência, na aplicação dos impostos recolhidos por todos. É assim na educação, saúde, na segurança… mas, cabe aqui também ressaltar que alguns valores precisam ser resgatados no serviço público: um exemplo é a maior valorização do professor, sobretudo quanto ao respeito que lhe é devido, na sociedade e pelos alunos em sala de aula. Na segurança pública, a humanização e o compromisso com o bom trato aos cidadãos valem tanto quanto equipar quartéis e o policiamento ostensivo. Nas unidades de saúde, atrasos, faltas, destratos aos pacientes devem ficar no passado. Os enfermos esperam dos profissionais de saúde uma dedicação que vá além das cláusulas do contrato de trabalho. No interior do estado, a carência por médicos é inacreditável.

 

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O tráfico de drogas exige combate implacável. O sucesso dessa hercúlea tarefa depende do casamento da inteligência policial com a repressão nas ruas, investimentos sociais, especialmente voltado aos jovens, geração de emprego, e a vigilância das fronteiras. Esse trabalho nos limites do Amazonas com os países vizinhos, aliás, deve ser uma preocupação do Estado brasileiro. O corredor de passagem de drogas em que se tornaram o Amazonas e o Acre espalham a mazela do tráfico no país, como um vírus mutante que se alimenta das células sadias de seu hospedeiro, aterrorizando cada vez mais famílias.

Na saúde, mutirões se mostram ação urgente para reduzir filas de tantos necessitados, por tratamentos e cirurgias que não podem esperar meses. São pacientes que travam uma via crucis.

O polo industrial da Zona Franca de Manaus deve ser defendido até o último combatente, paralelo ao desenvolvimento de novas matrizes econômicas. Sem essa fonte de receita, um efeito dominó derruba os demais setores econômicos. Há estudo que estima uma emigração de 500 mil pessoas da capital do estado caso o PIM vá à derrocada, justamente um quarto da população manauara. Esse seria o contingente que buscaria emprego em outras partes do país. É importante saber que muitas multinacionais que saírem de Manaus não irão para outras cidades brasileiras. Levarão as unidades fabris para a China ou a Índia, onde a mão-de-obra é muito mais barata.

Tantos desafios não podem desanimar. O novo governo local que assume é jovem, tem disposição, clareza do que precisa ser feito, formou uma equipe técnica e de pessoas competentes. E nesse 1° de janeiro de 2019, o mais importante: é governo de todos, o mesmo ocorre no plano nacional, e a todos cabe colaborar, como cidadão e contribuinte. Afinal, é tempo de acreditar, é tempo de renovar as esperanças.

 

*O autor é jornalista – hudsoncristobraga@gmail.com