Sidney Leite cobra verdade de ex-ministro de Bolsonaro na CPI do INSS
Deputado confrontou o ex-ministro José Carlos Oliveira na CPMI do INSS por negar conhecimento prévio sobre fraudes em descontos ilegais.
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 11/09/2025 às 18:59 | Atualizado em: 13/09/2025 às 09:58
O ex-ministro do Trabalho e Previdência Ahmed Mohamad (José Carlos Oliveira) usou reiteradamente a expressão “Não me lembro” ao responder aos questionamentos nesta quinta-feira (11) na sessão da CPMI do INSS.
O colegiado investiga as fraudes nos descontos, sem consentimentos, dos pagamentos de aposentados e pensionistas do órgão por associações.
Nomeado no governo de Jair Bolsonaro (PL), Oliveira disse aos parlamentares do colegiado que apenas tomou conhecimento dos descontos ilegais na folha de pagamento após a Operação Sem Desconto da Polícia Federal (PF), deflagrada este ano.
O depoimento do ex-ministro causou indignação entre os parlamentares.
O deputado Sidney Leite (PSD), integrante do colegiado citou o caso da Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), terceira maior beneficiada por descontos irregulares com suspeita de movimentação de R$ 231,3 milhões.
“Segundo a CGU, a arrecadação da Ambec, em 2021, foi de R$ 135. Já no ano seguinte, em 2022, seus rendimentos explodiram, de R$ 135 para R$ 15 milhões. Investigadores apontam que o dinheiro era dividido entre o Careca do INSS (Antônio Carlos Camilo Antunes), 27,5%, e o empresário Maurício Camisotti, 72,5%. Quais providências foram adotadas pelo senhor à frente do INSS ou como ministro?”, questiona o deputado amazonense.
“A curva dessa entidade, até dezembro de 2022, que foi quando nós ficamos lá, aqui não chega a R$ 3 milhões”, responde Oliveira.
“Mas não é a informação que se tem, inclusive de que nós tivemos acesso”, devolve o deputado. “É o que eu tenho aqui”, diz o ex-ministro. “Pois é, mas essa não é a informação. É bom o senhor se cercar de informações verdadeiras, até para não se incriminar”, adverte o parlamentar.
O senador Fabiano Contarato (PT-ES) chegou a previni-lo sobre o crime de falso testemunho e cogitou medidas mais duras, como voz de prisão.
Contarato apresentou um ofício do dia 5 de junho de 2018 do Ministério Público Federal (MPF), direcionado a ele quando era superintendente regional do INSS em São Paulo, sobre ocorrência de descontos irregulares, mas o depoente, que também foi presidente do INSS no governo Bolsonaro, disse que não se lembrava de nenhuma denúncia.
“O senhor foi informado formalmente pela procuradora da República sobre desconto irregular, fraudulento, e o senhor aqui, quando a gente pergunta, o senhor fala: ‘Não, eu só tomei conhecimento agora, com a Operação Sem Desconto’. Isso é crime de falso testemunho, no 342 [Código Penal]. É de ação penal pública incondicionada”, adverte o senador.
Quebra de sigilo
Por meio de um acordo entre parlamentares da base e oposição, a CPMI aprovou 399 requerimentos de quebra de sigilo de pessoas e empresas que possuem vínculos com associações de aposentados, e também de sindicatos e entidades supostamente envolvidos em fraudes.
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Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Agência Câmara
