Mandel cobra Anac por passagens de R$ 9 mil para festival de Parintins

Resposta da agência ao deputado do Amazonas confirma monopólio de voos e normaliza tarifas que ultrapassam R$ 9 mil na ida e volta para o festival.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 19/06/2026 às 10:06 | Atualizado em: 19/06/2026 às 10:24

A resposta da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a ofício enviado pelo deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM) sobre o preço das passagens aéreas na rota Manaus-Parintins durante o Festival Folclórico de Parintins reacendeu a preocupação com o acesso da população amazonense a um dos maiores eventos culturais do país.

No documento encaminhado ao parlamentar, a Anac reconhece que a tarifa média no mês de junho, período em que ocorre o festival, aumentou nos últimos anos e que a alta está relacionada à elevação brusca da demanda.

 A agência também informa que, desde 2025, a Azul e sua subsidiária Azul Conecta concentram a totalidade dos voos da rota Manaus-Parintins-Manaus.

Para Mandel, a resposta confirma justamente o ponto central da cobrança: em uma rota estratégica da Amazônia, com baixa concorrência e poucas alternativas de deslocamento, o preço da passagem aérea pode virar uma barreira real para quem deseja participar do festival, visitar familiares, trabalhar no evento ou movimentar a economia local.

Leia mais

Passagens de R$ 9 mil e a realidade amazonense

O ofício enviado pelo deputado à Anac apontou casos de passagens para o festival de Parintins de 2026 sendo comercializadas por mais de R$ 4,7 mil em um único trecho, tanto na ida quanto na volta, somando aproximadamente R$ 9,5 mil para uma viagem de pouco mais de uma hora entre Manaus e Parintins. 

Fora do período do festival, segundo o próprio levantamento apresentado pelo gabinete, os valores costumam ser significativamente menores.

Na resposta, a Anac afirma que o transporte aéreo doméstico no Brasil opera sob regime de liberdade tarifária, ou seja, a agência não define nem limita os preços cobrados pelas companhias aéreas. 

O órgão também informa que não realiza monitoramento específico de tarifas por rota isolada, mas acompanha o conjunto das rotas domésticas por meio de bases de dados e painéis públicos.

Leia mais 

Queda na oferta de voos pressiona tarifas

A agência ainda sustenta que, em períodos de grande procura, como o festival de Parintins, é comum que as companhias aéreas ofertem bilhetes mais caros à medida que a data da viagem se aproxima. 

Segundo a Anac, passageiros que compram com antecedência tendem a encontrar valores menores.

Além de admitir que a tarifa média no mês de junho, período em que ocorre o festival de Parintins, vem aumentando nos últimos anos em razão da elevação brusca da demanda, a própria Anac também reconhece outro dado central: a oferta de assentos na rota Manaus-Parintins-Manaus caiu cerca de 42% entre 2022 e 2025. 

Na prática, a resposta da agência confirma uma combinação que pesa diretamente no bolso do passageiro: mais gente tentando viajar justamente quando há menos assentos disponíveis. 

Para o deputado, esse cenário ajuda a explicar por que a passagem dispara e por que o problema não pode ser tratado apenas como uma consequência natural da procura pelo festival.

Outro ponto da resposta causou indignação no parlamentar. 

A Anac informou que a plataforma Consumidor.gov.br é o canal oficial para reclamações de passageiros e que, após busca em seus sistemas, identificou apenas uma reclamação relacionada aos preços da rota Manaus-Parintins no contexto do festival de Parintins nos últimos cinco anos. 

Nas bases da ouvidoria e do Fala.Br, segundo a agência, não foram localizados registros sobre o tema.

Abismo entre dados oficiais e a população

Para Mandel, esse dado não retrata a realidade vivida pela população.

Segundo dados enviados pela própria Anac, a tarifa real média da rota Manaus-Parintins-Manaus durante o mês do festival passou de R$ 663,35, em 2022, para R$ 1.352,19, em 2025, aumento aproximado de 104%. 

A agência também informou que, em 2025, durante o festival, a taxa média de ocupação dos voos chegou a 89,5% na ida e 91,8% na volta, demonstrando a pressão sobre a oferta no período.

Conectividade regional e novas cobranças

Para o parlamentar, a discussão não se resume ao preço de uma passagem.

 Envolve conectividade regional, concorrência, turismo, cultura e justiça no acesso a um patrimônio simbólico do Amazonas.

Mandel informou que vai seguir cobrando respostas da Anac, do Ministério de Portos e Aeroportos e dos órgãos de defesa da concorrência e do consumidor sobre medidas capazes de ampliar a oferta, estimular a entrada de novas empresas e reduzir os impactos da alta sazonal nas passagens para Parintins.

Entre os pontos defendidos pelo parlamentar estão o fortalecimento da aviação regional na Amazônia, maior transparência sobre a formação dos preços, acompanhamento específico de rotas com baixa concorrência e planejamento antecipado para eventos de grande porte, como o Festival Folclórico de Parintins.

A desculpa da Anac

Foto: divulgação