Por Aguinaldo Rodrigues, da Redação

 

A exata uma semana para a eleição do novo governador do Amazonas, o político que vai administrar um orçamento anual que caminha para R$ 20 bilhões, em um estado de dimensão continental onde habitam 4 milhões de pessoas, o clima das campanhas dos candidatos toma ares de “terrorismo” e trocação de acusações e denúncias.

Amazonino Mendes (PDT), o que busca a reeleição, com as pesquisas totalmente desfavoráveis contra si, apontando uma derrota histórica e humilhante para sua trajetória política, usa todo seu arsenal de guerra para se manter no poder e evitar a ascensão do “novo”.

No contra-ataque, Wilson Lima (PSC) acusa o adversário de ter montado uma verdadeira “fábrica” de fake news, cuja estratégia teria sido desmontada pela Justiça Eleitoral em pelo menos uma dúzia de tentativas nos últimos dias.

Em suas peças de propaganda, Wilson afirma que o adversário “mente, manipula e engana”. Em sua página de campanha no Facebook, ele disse sobre Amazonino neste sábado, dia 20:

“Escândalo nacional: a fábrica fake news no Amazonas! Segundo a revista Veja, o Tribunal Regional Eleitoral já tirou do ar doze notícias falsas publicadas em blogs favoráveis ao atual governador”.

Wilson rebateu em sua propaganda nesta semana duas notícias falsas que estariam sendo divulgadas contra ele: a de que em seu governo criaria a “Bolsa-Bandido”, para indenizar familiares de pelos menos 56 presos mortos no “massacre do Compaj”, ocorrido no réveillon de 2017, e de que a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), que não se reelegeu, seria a futura secretária de Educação.

“ISSO NÃO É VERDADE, ISSO É MENTIRA, ISSO É FAKE NEWS”, escreveu assim, em letras garrafais, no Facebook.

 

Pedido de cassação no TRE

Contra essa acusação de fabricar notícias falsas, Amazonino recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), ao mesmo tempo em que pediu direito de resposta da revista Veja, que publicou matéria usando essa expressão “fábrica de fake news” no título do último dia 18.

A ação mais pesada de Amazonino contra Wilson ainda estava por vir: o pedido de cassação da candidatura do seu oponente. A acusação é de compra de votos.

No olho do furacão dessa denúncia, o fato ocorrido com o ex-prefeito de Nhamundá Mário Paulain (MDB), preso e acusado no dia da votação do primeiro turno, 7 de outubro, de estar comprando voto na cidade para Wilson. Leia mais sobre o episódio.

A intenção do candidato à reeleição, com várias providências que pediu que o TRE adote, é demonstrar que o seu adversário tinha conhecimento da prática criminosa de Paulain em prol da sua candidatura.

O ex-prefeito naquele momento era servidor público do estado, e foi exonerado por Amazonino dois dias depois.

 

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Traficantes atuando na campanha

No cenário de beligerância do segundo turno, Amazonino tenta ainda tirar Wilson da disputa com uma notícia-crime na corte eleitoral de que este também praticou corrupção de compra de voto no município de Codajás.

O agravante nesse episódio é que o crime seria praticado por meio de traficante de drogas que atua na cidade. Alega Amazonino na ação que há depoimentos de envolvidos que comprovam a infração à lei das eleições.

Uma delegada da Polícia Civil do Amazonas chegou a ser presa por supostamente atuar na cobertura a traficantes do município, um dos que estão no corredor de drogas do rio Solimões, usado pelo narcotráfico para fazer os carregamentos chegar a Manaus.

 

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Fotos: BNC Amazonas