Pesca e piscicultura no Amazonas exigem investimentos permanentes
Especialistas e lideranças apontam a pesca sustentável e a piscicultura como caminhos estratégicos para gerar emprego e diversificar a economia amazonense.
Publicado em: 27/07/2026 às 17:33 | Atualizado em: 27/07/2026 às 17:34
O Amazonas detém uma das maiores bacias hidrográficas do mundo, mas ainda explora de forma acanhada seu potencial pesqueiro para a geração de emprego, renda e desenvolvimento sustentável. Diante da necessidade de fortalecer a economia regional — historicamente dependente do polo industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM) —, o aporte em infraestrutura, assistência técnica, acesso ao crédito e agroindustrialização do pescado passa a ser visto como estratégia crucial para o interior do estado.
Na avaliação de especialistas, a transformação do potencial natural em riqueza exige superar ações isoladas e estruturar uma política pública contínua de Estado.
Gargalos e Soluções para o Setor
A ampliação da cadeia produtiva do pescado promete impactar diretamente as comunidades ribeirinhas e os mercados locais, desde que os principais gargalos logísticos e operacionais sejam enfrentados.
Infraestrutura e Beneficiamento
Para reduzir perdas no transporte e garantir qualidade ao consumidor final, aponta-se a urgência de investimentos em:
Estrutura de desembarque: Construção e modernização de portos pesqueiros.
Cadeia de frio: Instalação de fábricas de gelo e câmaras frigoríficas nos municípios do interior.
Agroindústrias locais: Incentivo a pequenas unidades de processamento de peixe para agregar valor à produção e abastecer novos mercados.
Suporte ao Produtor
A modernização da atividade depende da ampliação da assistência técnica governamental e da facilitação do acesso a linhas de crédito. O objetivo é aumentar a produtividade e a renda dos trabalhadores sem intensificar a pressão sobre os estoques naturais.
“A pesca já faz parte da identidade econômica e cultural do nosso povo. O que falta é fortalecer toda a cadeia produtiva, oferecendo infraestrutura, assistência técnica e condições para que o produtor possa gerar mais renda sem aumentar a pressão sobre os recursos naturais”, analisa o ex-secretário Marcellus Campêlo.
Pesca Esportiva e Exemplo Nordestino na Piscicultura
Além do consumo alimentício, o turismo de base comunitária alavancado pela pesca esportiva já se consolida como vetor econômico relevante no estado, movimentando cerca de R$ 70 milhões por ano. Municípios como Barcelos destacam-se internacionalmente, atraindo visitantes e movimentando a rede hoteleira, condutores e serviços locais sob o modelo do “pesque e solte”.
No campo da piscicultura, experiências consolidadas em outras regiões do país — como a produção em tanques-rede no reservatório do Orós, no Ceará — servem de modelo sobre como o planejamento de longo prazo e o apoio técnico podem transformar a produção aquícola em polos de renda no interior, respeitando as especificidades do ecossistema amazônico.
A consolidação da pesca e da piscicultura é vista por especialistas não como substituta da Zona Franca de Manaus, mas como uma matriz complementar capaz de promover o desenvolvimento sustentável e a segurança alimentar no interior do Amazonas.
Foto: Caio de Biasi/Divulgação
