Amazonas é destaque mundial na produção mineral, diz estudo da SGB
A Mina de Pitinga possui a maior produção de tântalo do país. “Globalmente, essa operação coloca o Brasil como o segundo maior produtor mundial”, diz estudo
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 06/03/2026 às 16:52 | Atualizado em: 06/03/2026 às 16:52
Por conta da produção da Mina de Pitinga, em Presidente Figueiredo, o Amazonas é destaque mundial na produção de minério. Desse modo, o estado se consolida como fronteira estratégica para minerais essenciais à transição energética e à segurança alimentar.
É o que aponta a nova edição da publicação “An Overview of Critical and Strategic Minerals Potential of Brazil” apresentada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) no domingo, 1º de março, numa convenção no Canadá.
Segundo a pesquisa, o estado não é apenas uma reserva ambiental, mas um “pilar da revolução mineral” no Brasil.
Em consequência disso, o SGB diz que o foco do governo, por meio do Novo PAC, é garantir que a “transformação industrial desses minerais ocorra em território nacional, gerando riqueza e desenvolvimento regional”.
A mina operada pela Mineração Taboca tem a maior produção de estanho do Brasil, sendo classificada como a maior rocha primária (hard-rock) do mundo.
A mina possui ainda a maior produção de tântalo do país. “Globalmente, essa operação coloca o Brasil como o segundo maior produtor mundial”, diz o estudo.
Sobre o potencial de terras raras e nióbio, embora os depósitos mais ativos estejam em Minas Gerais e Goiás, o Amazonas também aparece com potencial no índice de exploração desses minerais por seus complexos carbonatíticos (fontes de nióbio, fosfato e terras raras).
O levantamento destaca ainda o potencial agromineral no eixo Manaus–Boa Vista para dar suporte à agricultura regional.
Gigante do potássio
No estudo, a bacia do Amazonas é identificada como uma das regiões com maior potencial para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados.
Sob o controle da Petrobras, são apontadas como reservas estratégicas as dos municípios de Itacoatiara e Nova Olinda do Norte.
O depósito de Autazes (da Potássio do Brasil) totalizam cerca de 1,79 bilhão de toneladas de cloreto de potássio.
Outros três alvos foram identificados com potenciais em Novo Remanso, Itacoatiara e São Sebastião do Uatumã. Neles, os recursos estimados são superiores a 1,2 bilhão de toneladas de cloreto de potássio.
Na sub-bacia de Abacaxis, o estudo e a CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) identificaram duas camadas evaporíticas (rochas sedimentares formadas pela precipitação de sais a partir da evaporação intensa de salmouras em corpos hídricos) contendo sais de potássio e sulfato com espessura de 5 metros cada.
Ouro
O relatório destaca o Cráton Amazônico (núcleo geológico mais antigo e estável da América do Sul, abrangendo cerca de 4 milhões de km² entre o Brasil e países vizinhos) como uma área prioritária para futuras descobertas de ouro.
Avanços em tecnologias de mapeamento geológico e sensoriamento remoto permitiram identificar novos alvos de exploração no Amazonas.
“O estado é apontado como detentor de um potencial substancial para a revelação de recursos auríferos ainda não catalogados”, diz a pesquisa.
Foto: divulgação/Mineração Taboca S.A
