Várzeas na Amazônia estão entre as mais frágeis às mudanças climáticas
Pesquisa alerta que áreas úmidas da Amazônia são altamente vulneráveis ao clima e pouco protegidas.
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 23/01/2026 às 17:27 | Atualizado em: 23/01/2026 às 17:30
Pesquisadores de quatros instituições ambientais chegaram a uma conclusão preocupante: 18% da Amazônia é “formada por áreas úmidas, um dos ecossistemas mais vulneráveis às mudanças climáticas no bioma”.
São áreas como florestas de igapó ou de várzea (interiores), manguezais (sistemas costeiros) e açudes e lagoas artificiais (antropogênicos).
O estudo inédito, elaborado por especialistas do Imazon, do ICMBio, do ISA e do EcoSaMa, mapeou 77 milhões de hectares de áreas úmidas no bioma e mostrou que quase metade está fora de territórios protegidos.
Os pesquisadores usaram metodologia de mapeamento por imagens de satélite que combinou dados de sensores remotos, mapas já publicados e o inventário nacional de áreas úmidas.
Segundo o levantamento, apenas 53,7% das áreas úmidas do bioma encontram-se sob algum nível de proteção, sendo 21,3% em Unidades de Conservação, 15,4% em terras Indígenas, 3% em Sítios Ramsar e 14% em áreas protegidas sobrepostas.
O analista do ISA Cícero Augusto afirma que destinar essas áreas para conservação seria fundamental porque esses territórios sustentam processos ecológicos essenciais para a Amazônia.
“Eles concentram grandes estoques de carbono, mantêm a biodiversidade e garantem água e alimentos para as populações. Em um contexto de mudanças climáticas, ignorar o papel das áreas umidades aumenta a vulnerabilidade da Amazônia e das populações que dependem desses territórios”, diz Cícero.
Aquecimento global
Os pesquisadores alegam ainda que o aquecimento global pode fazer com que as áreas úmidas costeiras desapareçam com o aumento do nível do mar, ao passo que as áreas úmidas interiores podem entrar em pontos de não retorno devido a secas extremas frequentes.
“Uma das hipóteses que estamos avaliando é o papel das áreas úmidas da Amazônia como o primeiro sinal de pontos de não retorno no bioma. Essas áreas podem dar o alarme de que já possamos estar cruzando um limiar de risco altíssimo”, explica o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr.
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A vulnerabilidade dessas áreas está na alta dependência da água, além das pressões como desmatamento, represamento dos rios, expansão urbana e mineração.
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