Às vésperas da COP-30, Lula defende teste para petróleo na foz do Amazonas
Presidente afirma que Brasil quer nova fase de implementação nas conferências do clima e critica modelo baseado apenas em doações internacionais
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 04/11/2025 às 15:31 | Atualizado em: 04/11/2025 às 15:31
O presidente Lula da Silva (PT) afirmou hoje (4) que o Brasil seguirá defendendo a possibilidade de exploração de petróleo na foz do Amazonas, ao mesmo tempo em que reforça seu compromisso com o financiamento climático global.
A declaração ocorreu durante entrevista a veículos estrangeiros na base naval de Val de César, em Belém, cidade que sediará a COP-30 em 2025. Como informa o Uol.
Dessa maneira, Lula disse querer que a conferência marque o início de uma fase mais prática nas negociações ambientais.
“Queremos ver se é possível inaugurar uma nova fase da COP, de implementação. Chega de discussão, agora tem que implementar o que nós já discutimos”, afirmou o presidente.
Exploração na Margem Equatorial
O petista voltou a defender a prospecção de petróleo na costa do Amapá, na Margem Equatorial, região que inclui a Foz do Amazonas.
Segundo ele, a autorização recente concedida pelo Ibama à Petrobras não garante exploração, mas apenas testes técnicos.
“Se eu fosse um líder falso e mentiroso, eu esperaria passar a COP para anunciar”, disse.
“Temos autorização para fazer o teste. Se a gente encontrar o petróleo que se pensa que tem, vai ter que começar tudo outra vez para dar licença.”
A postura reafirma o posicionamento do governo em buscar equilíbrio entre a agenda ambiental e a política energética — ponto que tem gerado críticas de ambientalistas e parte da comunidade internacional.
Fundo Florestas Tropicais Para Sempre
Lula também destacou que a principal aposta do governo brasileiro para a COP-30 será o lançamento do Tropical Forests Forever Fund (TFFF), fundo global voltado à preservação das florestas tropicais.
Ele defendeu que o mecanismo seja baseado em investimentos, e não apenas em doações unilaterais de países ricos.
“Estamos querendo sair da era das doações. A doação é muito importante, mas sempre fica muito aquém do que se precisa. Se não nos deram US$ 100 bilhões antes, não vão dar agora US$ 1,3 trilhão”, afirmou.
O presidente argumenta que o modelo atual de financiamento climático tem falhado em cumprir compromissos históricos e que é necessário um sistema mais robusto e permanente para proteger áreas estratégicas como a Amazônia.
Pressão e expectativas
As declarações ocorrem em meio à expectativa internacional de que o Brasil lidere novas estratégias para preservação ambiental, sobretudo diante da realização da COP-30 no país.
Ao mesmo tempo, o debate sobre petróleo na Margem Equatorial pode se tornar um dos principais pontos de tensão da conferência.
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Foto: Petrobrás/Divulgação
