Revelados mais bastidores do veto de Braga a Marcelo Ramos

Marcelo Ramos revela bastidores do veto de Eduardo Braga à sua candidatura ao Senado e estuda não concorrer em 2026.

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 14/07/2026 às 17:55 | Atualizado em: 14/07/2026 às 17:55

Em entrevista exclusiva ao BNC Amazonas em Brasília, o ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) resolveu contar os bastidores do veto que sofreu por parte do senador Eduardo Braga (MDB) na formação da chapa governista à disputa das duas vagas ao Senado.

Na conversa com a direção nacional do PT, Braga usou como argumentos a inviabilidade eleitoral e ainda que a pré-candidatura de Ramos colocava em risco a reeleição dele ao Senado.

A partir dessa argumentação, Braga fez o apelo para que o partido decidisse pela pré-candidatura de Ramos a deputado federal.

Os argumentos do senador foram apresentados ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, que solicitou a Ramos, numa reunião na última sexta-feira (10 de julho), que desistisse da pré-candidatura ao Senado e disputasse mais um mandato de federal.

“Se eu não tivesse viabilidade eleitoral qual é o problema dele com uma candidatura que não tem viabilidade eleitoral?”, indaga o ex-deputado.

Ao ser questionado por Ramos, Braga omitiu o teor da conversa com o PT nacional, mas disse a ele que sua pré-candidatura a deputado federal, junto com a do vereador José Ricardo (PT), garantiria o coeficiente eleitoral para eleger um deles.

Desabafo

“Quero ser absolutamente transparente, devo isso ao povo do Amazonas e às pessoas que confiam em mim e à militância do PT. Em 2017, eu vivi um processo parecido e, não ter deixado claro o que estava acontecendo nos bastidores, fez eu pagar uma conta muito cara que não era minha. Então agora eu vou ser absolutamente transparente nesse processo”, diz Ramos, referindo-se ao fato de quando ele foi candidato a vice-governador na chapa com Braga na eleição suplementar.

De acordo com o petista, tudo começou com um blog de Manaus publicando, na manhã da sexta-feira, que ele não seria mais candidato ao Senado para assumir a coordenação da campanha de Lula.

Para ele, um processo de fritura política.

“Ninguém nunca conversou comigo sobre ser coordenador da campanha do presidente Lula. Ninguém, absolutamente ninguém, em momento nenhum. À tarde da sexta, eu tinha uma reunião com o presidente do PT, o Edinho Silva”.

Conforme Ramos, Braga apelou:

“Nessa reunião, em nome da direção nacional do partido, ele me relatou que o senador Eduardo tinha feito um apelo ao PT de que a minha candidatura não era eleitoralmente viável e de que ela atrapalharia a candidatura dele e poderia ter como consequência a eleição de dois senadores do campo bolsonarista e que, portanto, ele reivindicava ser o candidato único na chapa”.

Ramos diz que fez algumas ponderações a respeito. O fato de ser o único candidato com perfil progressista de esquerda, mais vinculado ideologicamente ao presidente Lula e que sua pré-candidatura era absolutamente viável, pois havia chance de eleger dois senadores do campo de Lula.

“O segundo argumento é que precisávamos de uma candidatura majoritária que tenha um projeto progressista para o Amazonas e que verbalize a defesa do legado do presidente Lula e o enfrentamento do bolsonarismo. Sem a minha candidatura, nenhuma outra vai fazer isso”.

Contudo, os argumentos não sensibilizaram a direção nacional do partido.

“A partir daí, eu estou refletindo o que vou fazer daqui por diante”.

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Candidato

O ex-deputado diz que a possibilidade maior é não ser candidato, mas vai avaliar ainda a possibilidade de disputar mais um mandato à Câmara dos Deputados.

“Tenho primeiro um sentimento profundo de frustração com todo esse processo, não construí plano B. Eu ofereci o meu nome para uma eleição difícil, dura, mas que eu considero absolutamente necessário para o projeto do presidente Lula no Amazonas. E, obviamente, que me sensibiliza essa mobilização da militância do PT, que aprovou meu nome por unanimidade, tanto no executivo estadual como na direção estadual”, disse.

Ramos admite que tem uma responsabilidade com “milhares de pessoas progressistas”, eleitores do presidente Lula, que esperam dele alguma participação no processo eleitoral.

“Voltarei para Manaus amanhã, termino um curso que eu faço na Fundação Getúlio Vargas e vou reunir minha família e a militância do PT. Ainda tenho tempo até a convenção para essa decisão, e vou ponderar essas duas coisas. O que me deixa mais confortável pessoalmente e a responsabilidade que eu tenho com o povo do Amazonas”.

Foto: BNC Amazonas