Aumenta pressão contra extração ilegal de ouro no Amazonas
Publicado em: 08/05/2017 às 17:25 | Atualizado em: 08/05/2017 às 17:25
A extração ilegal de ouro no Sul do Amazonas mobiliza procuradores públicos a pararem a atividade que causa graves danos ao meio ambiente. Os órgãos de fiscalização dizem não ter condições de conter a invasão de garimpeiros e devem ser processados.
O Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM) informa que enfrenta uma crescente pressão para reprimir a extração ilegal de ouro na floresta amazônica, onde milhares de trabalhadores estão destruindo terras ecologicamente sensíveis, de acordo com a agência Reuters. Em março deste ano, a juíza federal da 7ª Vara da Seção Judiciária do Amazonas, Mara Elisa Andrade, suspendeu toda e qualquer atividade de exploração mineral no chamado garimpo do Juma, entre os municípios de Novo Aripuanã e Apuí. A ordem se estendeu também aos rejeitos dessa extração, que são reprocessados.
Desde 2007, milhares de mineiros desciam sobre Apuí, no noroeste do Brasil, no chamado Novo Eldorado ou Juma, esperando atingir ricos, mas no processo destrói 14 mil hectares de selva, corta árvores e envenena rios com mercúrio.
Em uma tentativa de fechar essas minas ilegais, os promotores estão agora processando a Agência de Proteção Ambiental do Brasil, o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e outros departamentos governamentais que dizem não ter conseguido parar os crimes ecológicos em minas ilícitas.
O Ibama e outras agências governamentais disputam essas alegações. “Queremos suspender todas as ações (de mineração) nesses 14 mil hectares”, disse o procurador do Estado de Amazonas, Leonardo Galiano, à Thomson Reuters Foundation em entrevista por telefone. “Queremos que o governo comece campanhas contra esses crimes ambientais”.
Com o sofrimento do Brasil em sua pior recessão em um século e os altos preços do ouro global, mineiros ilegais têm poluído a área com mercúrio e outros produtos químicos para separar o ouro do grão enquanto as autoridades não conseguiram impor a lei, disse o promotor.
O mercúrio, um metal altamente tóxico, é liberado para o ambiente e, em seguida, percorre a cadeia alimentar para peixes, mamíferos e também humanos, pondo em risco a saúde dos povos indígenas que vivem mais próximos das operações ilegais de mineração de ouro.
Fonte: Reuters
Foto: Reprodução/A Crítica de Humaitá
