Australiana BCM quer investir R$ 285 milhões em terras raras no Amazonas
Empresa projeta mineração em Apuí, visando extração estratégica para transição energética.
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 18/02/2026 às 18:28 | Atualizado em: 18/02/2026 às 18:44
A australiana BCM quer investir R$ 285 milhões na exploração de terras raras no município de Apuí, no Amazonas, a partir de 2027. O diretor-executivo da empresa, Andrew Reid, disse que a prioridade este ano é conseguir as licenças ambientais.
A mineradora negocia contratos de “offtake” [de compra e venda antecipada da produção] com grupos do Canadá, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, França e Malásia.
O projeto da empresa foi citado entre os sete no Brasil que estão em fase pré-operacional, segundo reportagem do Valor nesta quarta-feira (18). Os investimentos deles somam R$ 13,2 bilhões.
Segundo a BCM, o Brasil tem observado maior interesse internacional em projetos de terras raras.
“Esse movimento ocorre diante do fato de que o país detém atualmente o segundo maior volume de reservas de terras raras do mundo, atrás apenas da China”, diz a companhia.
Os interesses dos investidores locais e estrangeiros estão principalmente em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.
Os elementos são estratégicos para áreas como as de transição energética, tecnologia e Defesa.
Especialistas dizem que os projetos no Brasil poderiam ajudar a reduzir a dependência de países do Ocidente de terras raras da China, que responde por 69% da produção global e por 91% do refino.
“Esse grupo é formado por 17 metais, como lantânio, samário, térbio e lutécio, encontrados em abundância no mundo, porém com processos de extração e refino caros e complexos”, diz a matéria.
Problemas
Para concretizar os investimentos, o país ainda enfrenta algumas barreiras:
– Licenciamento ambiental complexo e demorado; ausência de contratos “offtake”;
– Insegurança jurídica e falta de políticas nacionais consolidadas para minerais críticos;
– Dificuldade de acesso a crédito para empresas juniores, que buscam capital fora do país.
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Foto: Divulgação
