BR-319: Meio século de promessas e o isolamento persistente do Amazonas
Única ligação terrestre do estado com o restante do Brasil completa 50 anos marcada por atoleiros, fretes abusivos e entraves ambientais
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 28/03/2026 às 11:00 | Atualizado em: 28/03/2026 às 11:00
A rodovia federal BR-319, que conecta Manaus (AM) a Porto Velho (RO), completa 50 anos de existência neste mês com uma marca amarga: a de nunca ter sido totalmente concluída.
Concebida para ser a espinha dorsal da integração da Amazônia Ocidental, a estrada permanece como um símbolo de isolamento logístico. A informação é do g1.
Nesse sentido, impacta diretamente a economia e a vida de milhões de amazonenses que dependem de uma via que, na prática, funciona apenas parcialmente.
Atualmente, o maior desafio reside no chamado “trecho do meio”, uma extensão de cerca de 400 quilômetros que carece de pavimentação.
Durante o rigoroso inverno amazônico, essa área se transforma em um cenário de lama e atoleiros, onde carretas e ônibus ficam retidos por dias.
Segundo Robert Rodrigues, coordenador comercial de uma empresa de transportes que opera na região, o trajeto que deveria ser feito em 15 horas chega a levar mais de 50 horas, gerando prejuízos com manutenção e avarias nas cargas.
O peso no bolso do consumidor
A precariedade da BR-319 reflete-se diretamente no custo de vida em Manaus. De acordo com a Federação do Comércio do Amazonas (Fecomércio-AM), o custo logístico do estado é um dos mais altos do mundo. O isolamento terrestre obriga o estado a depender quase exclusivamente dos modais fluvial e aéreo.
Empresas do Distrito Industrial de Manaus relatam que a falta de uma estrada confiável retira a competitividade da Zona Franca.
Por exemplo, itens que poderiam ser escoados por caminhões acabam sendo transportados por aviões para garantir o prazo de entrega, o que encarece o produto final.
Em períodos de seca severa nos rios da região, a situação se agrava, pois a rodovia — que seria a alternativa natural — não suporta o fluxo necessário para o abastecimento básico.
O dilema ambiental e a governança
A recuperação da BR-319 não é apenas uma questão de engenharia, mas um complexo nó ambiental. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou recentemente que qualquer intervenção na via exige uma avaliação ambiental estratégica rigorosa para evitar o aumento do desmatamento, da grilagem de terras e de incêndios na vasta área de floresta preservada que margeia a estrada.
O governo federal afirma estar trabalhando em um plano de governança que concilie a necessidade de trafegabilidade com a preservação.
Sendo assim, enquanto o licenciamento ambiental e as obras não avançam, o Amazonas permanece como o único estado brasileiro sem uma conexão rodoviária eficiente com o sistema viário nacional, mantendo viva uma espera que já dura cinco décadas.
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Foto: redes sociais
